Por eles denominado "Dia Zero da luta dos Enfermeiros”, o dia 5 de março marca o inicio de uma nova união desta classe profissional de saúde que quer negociar com o próximo governo, independentemente de quem ganhar as eleições legislativas de 2024.
O memorando de entendimento é subscrito pelo Sindicato de Enfermeiros (SE), Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE), Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR), Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU) e Sindicato Nacional dos Enfermeiros (SNE) e foi apresentado esta terça-feira numa conferência de imprensa para explicar as razões que os levaram a assumir este compromisso.
O documento, entregue ao bastonário da Ordem dos Enfermeiros, surge “face à progressiva degradação das condições de trabalho dos enfermeiros, e à ausência de respostas nos programas eleitorais dos partidos que se apresentam às eleições legislativas”.
“Hoje, 05 de março, será o dia zero de luta dos enfermeiros e nós iremos este ano exigir que os enfermeiros tenham uma palavra nas negociações e sejam considerados e tidos em conta para que haja uma revisão da sua tabela salarial [no SNS] e o término da negociação do acordo coletivo de trabalho, que está praticamente terminada”, afirmou a dirigente sindical do SITEU, Gorete Pimentel.
“Os cinco sindicatos representam maioritariamente o número de enfermeiros sindicalizados em Portugal e, só desta forma, poderemos ter alguma força negocial”, salientou o presidente do SIPE, Fernando Mendes Parreira.
Estes profissionais dizem ter sido deixados “sempre para atrás em todas as reformas que foram feitas”, estando cansados de esperar por respostas às suas reivindicações. Unem-se agora na luta pela dignificação da profissão num “grito para a mudança”. “(…) chegou o momento dos enfermeiros serem colocados em cima da mesa para negociar a reforma do Serviço Nacional de Saúde e isto, de alguma forma, só pode ser feito com união e compromisso”, declarou o dirigente sindical.
O presidente do SNE, Emanuel Boieiro, esclareceu que não há intenção, de momento, em avançar com protestos ou outras formas de luta, “sem primeiro saber a resposta do próximo governo” às reivindicações da classe. “O governo é que vai decidir se os enfermeiros vão ou não para formas de luta”, remata Boeiro.
“O que está escrito neste memorando são situações que devem ser revistas e de alguma forma também colocamos a pressão sobre o Governo, porque efetivamente é quem têm o poder de desbloquear as verbas, o poder de negociar e, se estivermos unidos acho que, acima de tudo, mostramos união para dentro, ou seja, para a profissão”.