A greve dos trabalhadores dos Correios do Canadá já dura há duas semanas e não tem fim à vista. Administração e sindicato não conseguiram chegar a um acordo e as negociações continuam, agora sob a supervisão de um mediador federal, mas as duas partes continuam muito afastadas nas suas propostas. Com dez milhões de encomendas ainda por processar, a chegada da semana mais movimentada de compras online, com as promoções da “Black Friday”, e da época das compras natalícias irá entupir ainda mais a distribuição quando o trabalho for retomado.
O sindicato exige aumentos salariais, condições de trabalho seguras, direito à aposentação com dignidade e a expansão dos serviços nos correios públicos. A administração, que acaba de apresentar mais 211 milhões de euros de prejuízo no terceiro trimestre, a somar aos mais de dois mil milhões de prejuízo desde 2018, diz que o atual modelo de negócio é “insustentável” e defende mais trabalho temporário e a tempo parcial para permitir entregas ao fim de semana e assim tentar competir com a concorrência low-cost.
Para o sindicato, o problema não está no modelo de negócio mas nas escolhas feitas pela administração nos últimos anos, que acusam de ter investido em excesso na entrega de encomendas, que representa a maior fatia do negócio num setor dominado por empresas que apostam no trabalho precário e na subcontratação para praticarem preços muito baixos junto dos grandes clientes como a Amazon. Os trabalhadores defendem assim que os Correios possam ser autorizados a criar novas fontes de receita como a banca postal.
“Os trabalhadores dos Correios fazem entregas em todas as moradas do país, por mais remotas que sejam. Vamos a sítios que o setor privado não vai, porque o lucro e não o serviço é o seu objetivo final. Enquanto a concorrência coloca o lucro das empresas acima de tudo, nós orgulhamo-nos de oferecer serviços a toda a gente”, aponta o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Canadá (CUPW/STTP). A paralisação está a afetar sobretudo as zonas rurais, pois nas grandes cidades os consumidores podem escolher ter as suas entregas feitas por empresas de entregas privadas. Esta segunda-feira o CUPW/STTP acusou a administração de estar a telefonar a alguns dos seus filiados para os colocar em lay-off, no que qualifica como uma “tática para amedrontar” os grevistas, que beneficiam do fundo de greve para manter o sucesso da paralisação prolongada. A última greve dos trabalhadores postais ocorreu em 2018 e durou cinco semanas, tendo terminado por ordem do Governo para que os grevistas voltassem ao trabalho. Nos anos seguintes trabalharam sem contrato coletivo acordado o que só aconteceu em setembro de 2021.
Sindicalistas portugueses enviam mensagem de solidariedade
Esta segunda-feira um grupo de sindicalistas e ativistas sociais portugueses enviou uma mensagem de solidariedade com “a corajosa greve nacional” dos trabalhadores dos Correios do Canadá.
“No Canadá, como em Portugal e por todo o mundo, a globalização neoliberal visa destruir os serviços públicos e abrir novas oportunidades de negócios ao capital privado e à especulação financeira, atacando os salários e os direitos dos trabalhadores e promovendo a precariedade. Para enfrentar e derrotar a poderosa ofensiva do capital, os trabalhadores só podem contar com a sua unidade e determinação na luta e com a solidariedade internacional”, afirmam os subscritores.
A mensagem é subscrita por vários membros do Conselho Nacional da CGTP, como Nelson Silva (SINTTAV), Paulo Gonçalves (SNTCT), Sónia Ribeiro (CES/Minho), João Pedro Silva (Sindicato Hotelaria do Norte), Paulo Ricardo (SITE/Norte), Pedro Ramos (SITE Centro/Sul, Açores e Madeira) e Ricardo Cerqueira (SPN). Outros dirigentes sindicais como Carlos Oliveira (SITE/Sul), Cátia Domingues (SPGL), José Jesus (STAL), Joaquim Espírito Santo e Pedro Faria (ambos do STSSS) subscrevem a missiva, a par do presidente da associação da Solidariedade Imigrante, Timóteo Macedo.