Lutas

Sindicalistas portugueses solidários com greve dos Correios no Canadá

27 de novembro 2024 - 11:24

Desde 15 de novembro cerca de 55 mil trabalhadores dos Correios do Canadá estão em greve após um ano de negociações sem progressos com a administração.

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Piquete de greve
Piquete de greve em Kapuskasing, no norte da provícia de Ontário. Foto CUPW

A greve dos trabalhadores dos Correios do Canadá já dura há duas semanas e não tem fim à vista. Administração e sindicato não conseguiram chegar a um acordo e as negociações continuam, agora sob a supervisão de um mediador federal, mas as duas partes continuam muito afastadas nas suas propostas. Com dez milhões de encomendas ainda por processar, a chegada da semana mais movimentada de compras online, com as promoções da “Black Friday”, e da época das compras natalícias irá entupir ainda mais a distribuição quando o trabalho for retomado.

greve correios Canadá
Piquete de greve, Foto CUPW/STTP

O sindicato exige aumentos salariais, condições de trabalho seguras, direito à aposentação com dignidade e a expansão dos serviços nos correios públicos. A administração, que acaba de apresentar mais 211 milhões de euros de prejuízo no terceiro trimestre, a somar aos mais de dois mil milhões de prejuízo desde 2018, diz que o atual modelo de negócio é “insustentável” e defende mais trabalho temporário e a tempo parcial para permitir entregas ao fim de semana e assim tentar competir com a concorrência low-cost.

Para o sindicato, o problema não está no modelo de negócio mas nas escolhas feitas pela administração nos últimos anos, que acusam de ter investido em excesso na entrega de encomendas, que representa a maior fatia do negócio num setor dominado por empresas que apostam no trabalho precário e na subcontratação para praticarem preços muito baixos junto dos grandes clientes como a Amazon. Os trabalhadores defendem assim que os Correios possam ser autorizados a criar novas fontes de receita como a banca postal.

piquete de greve dos correios no Canadá
Piquete de greve, Foto CUPW/STTP

“Os trabalhadores dos Correios fazem entregas em todas as moradas do país, por mais remotas que sejam. Vamos a sítios que o setor privado não vai, porque o lucro e não o serviço é o seu objetivo final. Enquanto a concorrência coloca o lucro das empresas acima de tudo, nós orgulhamo-nos de oferecer serviços a toda a gente”, aponta o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Canadá (CUPW/STTP). A paralisação está a afetar sobretudo as zonas rurais, pois nas grandes cidades os consumidores podem escolher ter as suas entregas feitas por empresas de entregas privadas. Esta segunda-feira o CUPW/STTP acusou a administração de estar a telefonar a alguns dos seus filiados para os colocar em lay-off, no que qualifica como uma “tática para amedrontar” os grevistas, que beneficiam do fundo de greve para manter o sucesso da paralisação prolongada. A última greve dos trabalhadores postais ocorreu em 2018 e durou cinco semanas, tendo terminado por ordem do Governo para que os grevistas voltassem ao trabalho. Nos anos seguintes trabalharam sem contrato coletivo acordado o que só aconteceu em setembro de 2021.

Sindicalistas portugueses enviam mensagem de solidariedade

Esta segunda-feira um grupo de sindicalistas e ativistas sociais portugueses enviou uma mensagem de solidariedade com “a corajosa greve nacional” dos trabalhadores dos Correios do Canadá.

piquete de greve dos correios do canadá
Piquete de greve, Foto CUPW/STTP

“No Canadá, como em Portugal e por todo o mundo, a globalização neoliberal visa destruir os serviços públicos e abrir novas oportunidades de negócios ao capital privado e à especulação financeira, atacando os salários e os direitos dos trabalhadores e promovendo a precariedade. Para enfrentar e derrotar a poderosa ofensiva do capital, os trabalhadores só podem contar com a sua unidade e determinação na luta e com a solidariedade internacional”, afirmam os subscritores.

A mensagem é subscrita por vários membros do Conselho Nacional da CGTP, como Nelson Silva (SINTTAV), Paulo Gonçalves (SNTCT), Sónia Ribeiro (CES/Minho), João Pedro Silva (Sindicato Hotelaria do Norte), Paulo Ricardo (SITE/Norte), Pedro Ramos (SITE Centro/Sul, Açores e Madeira) e Ricardo Cerqueira (SPN). Outros dirigentes sindicais como Carlos Oliveira (SITE/Sul), Cátia Domingues (SPGL), José Jesus (STAL), Joaquim Espírito Santo e Pedro Faria (ambos do STSSS) subscrevem a missiva, a par do presidente da associação da Solidariedade Imigrante, Timóteo Macedo.