Sindicalista suíço-turco foi libertado

04 de junho 2010 - 0:00

Rui Tavares afirma: "As acusações eram obviamente espúrias. Ficou claro que Murad tinha de ser libertado. O mesmo vale para os outros acusados, alguns deles detidos apenas porque possuem certos livros”.

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Murad Akincilar, sindicalista suíço-turco e activista de Direitos Humanos - Foto do site www.gauche-anticapitaliste.ch

O sindicalista suíço-turco e activista de Direitos Humanos Murad Akincilar foi libertado nesta Quinta feira, em Istambul, após oito meses de prisão. Akincilar é acusado de ligações a organizações terroristas. A data para a continuação do julgamento foi marcada para 26 de Junho. A sua libertação pode ser avaliada como um sinal positivo: foi o próprio procurador quem pediu a libertação do Akincilar. Outros 13 acusados (dos 18 em julgamento) também foram libertados.

A viver na Suíça desde 2001, onde foi trabalhar para o sindicato UNIA e defender os direitos de trabalhadores imigrantes, Akincilar retornou a Istambul no ano passado. A 30 de Setembro de 2009 foi preso e quatro dias depois levado a tribunal e colocado em prisão preventiva. A alegada ligação com uma organização terrorista foi baseada na sua escrita de um artigo para uma organização progressista que não está proibida mas que usa o mesmo servidor de Internet que uma organização banida. Segundo o secretário-geral da UNIA, Jacques Robert, que participou na audiência desta Quinta feira, o registo estabelecido pelo tribunal turco "está vazio". Akincilar também tinha sido preso porque a polícia encontrara "uma impressão digital numa revista encontrada num apartamento."

A campanha para a libertação de Murad Akincilar tem mobilizado um grande número de organizações, bem como autoridades suíças municipais, cantonais e federais, e também deputados do Parlamento Europeu. Rui Tavares, eurodeputado eleito como independente pelo Bloco de Esquerda e membro do grupo GUE/NGL, assistiu à audiência em Istambul e declarou: "As acusações eram obviamente espúrias. Ficou claro que Murad tinha de ser libertado. O mesmo vale para os outros acusados, alguns deles detidos apenas porque possuem certos livros. Além disso, Murad tem um problema de saúde na visão: nos últimos meses sofreu dois movimentos da retina e necessita de assistência médica urgente. Continuaremos a acompanhar o caso."