Guerra

Sete voos partiram das Lajes antes da autorização “condicional” de Rangel

06 de março 2026 - 12:15

Aviões militares de reabastecimento levantaram voo dos Açores com o ataque já em curso. Governo tinha garantido que nenhum avião participou no ataque. Bloco diz que Rangel já não tem condições para ser ministro.

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Paulo Rangel e base das Lajes

O semanário Expresso revelou esta sexta-feira que os EUA fizeram sete voos a partir das Lajes antes do acordo “condicional” do Governo e já com a guerra em curso.

Na véspera do ataque ao Irão, a 27 de fevereiro, dois aviões reabastecedores KC-46 que estavam há dias estacionados nas Lajes levantaram voo e só regressaram na noite do dia seguinte. Outros cinco voos de aeronaves idênticas saíram das Lajes no sábado, dia 28, já o ataque estava em curso.

Estes voos efetuaram-se a coberto de uma autorização tácita e não tiveram em conta a autorização prévia prevista no acordo de utilização da Base das Lajes, que é necessária para este tipo de operações à margem das organizações multilaterais a que Portugal e os EUA pertencem.

Segundo o Expresso, os EUA terão contactado informalmente o Governo no dia 27 para informar que possivelmente teria de pedir autorização de utilização da base em caso de conflito. Mas essa autorização, que Rangel apelidou de “condicional” para ser usada em operações “defensivas”, só foi dada ao final do dia de sábado, quando boa parte dos líderes do Irão já estavam mortos.

Na comparação encontrada pelo professor de Direito Internacional Francisco Pereira Coutinho, citado pelo Expresso, esta “autorização condicional” anunciada por Rangel e repetida pelo primeiro-ministro no Parlamento seria como “vender armas à Rússia para se defender de uma retaliação da Ucrânia”.

O coordenador do Bloco de Esquerda diz que “Trump violou o direito internacional e Portugal foi cúmplice”. O ministro Paulo Rangel “omitiu tudo e preocupou-se em arranjar desculpas”, prosseguiu José Manuel Pureza, concluindo que “as desculpas já não colam e o ministro já não tem condições democráticas para o ser”.

Este sábado às 10h30 um grupo de cidadãos açorianos promove uma concentração à porta da Base das Lajes sob o mote “Açores fora da guerra de Trump”.