Debate quinzenal

“Portugal não pode voltar a ser o entreposto do caos”

04 de março 2026 - 17:52

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, Fabian Figueiredo disse que Trump ”acendeu o rastilho de um barril de pólvora” e Luís Montenegro “foi a correr para lhe segurar o isqueiro”.

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Fabian Figueiredo esta quarta-feira no Parlamento
Fabian Figueiredo esta quarta-feira no Parlamento. Foto Tiago Petinga/Lusa

O primeiro-ministro esteve esta quarta-feira no Parlamento para o debate quinzenal e a autorização do uso da base das Lajes para os militares estadunidenses fazerem escala para o ataque ao Irão foi um dos temas incontornáveis.

“Donald Trump decidiu acender o rastilho de um barril de pólvora e o primeiro-ministro foi a correr para lhe segurar o isqueiro”, afirmou o deputado bloquista Fabian Figueiredo, concluindo que ao autorizar a utilização da base das Lajes, Montenegro “não está a exercer a soberania, está a branquear crimes de guerra”.

Quanto à “autorização condicional” antes evocada pelo ministro Paulo Rangel, Fabian Figueiredo contrapõe que o Governo “sabe perfeitamente que não tem como fiscalizar” qual a origem e destino dos aviões que têm passado pela base das Lajes e que essa formulação só serve para “lavar as mãos dos bombardeamentos a alvos civis, como escolas”.

“Depois do Iraque, também por responsabilidade do PSD, Portugal não pode voltar a ser o entreposto do caos”, prosseguiu o deputado do Bloco, desafiando o primeiro-ministro a solidarizar-se com o homólogo espanhol que “não autorizou que o seu território siga as aventuras criminosas de Trump e Netanyahu”.

Na resposta, Luís Montenegro não teve uma palavra sobre a posição espanhola, tendo invocado o “dever de reserva” para não transmitir informações ao Parlamento sobre algo que supostamente envergonharia a posição dos que se opõem à utilização de bases militares para apoiar a guerra de Trump e Netanyahu. Assim, apenas disse que “tenho a certeza absoluta de que não me vou arrepender de nada do que fizemos nestes dias”.

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