Serviços de oncologia de hospital público transferidos para clínica privada

20 de abril 2020 - 10:04

Em causa está o Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, que vê esta segunda-feira os seus recursos transferidos para a Lenitudes Medical Center & Research, em Santa Maria da Feira. O Bloco já pediu esclarecimentos ao Governo.

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bancada de preparação de medicamentos
Banc d'Imatges Infermeres / Flickr

Na sequência da informação de que a Oncologia do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga (CHEDV) será transferida esta segunda feira, dia 20 de abril, para um centro médico privado, a Lenitudes Medical Center & Research, localizado em Santa Maria da Feira, o Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre esta situação.

A pergunta dirigida ao Ministério da Saúde foi apresentada pelos deputados do Bloco de Esquerda eleitos pelo distrito de Aveiro. Moisés Ferreira e Nelson Peralta pretendem saber “quem tomou esta decisão e com que fundamentos; se o Ministério tinha conhecimento e se concorda com esta transferência de profissionais, materiais e funções do SNS para o privado; quanto custará tal transferência ao SNS e porque razão não se opta por investir no CHEDV em vez de transferir funções para um centro clínico privado”.

Segundo os deputados, “os profissionais de saúde do CHEDV foram informados que passarão a prestar serviço nas instalações da Lenitudes e para o mesmo terão sido transferidos também cadeirões de tratamento e outros materiais do SNS. A intenção será que se passe a desenvolver neste centro privado as atividades do hospital de dia de oncologia que antes aconteciam no Hospital São Sebastião.”

No documento enviado ao Governo, o Bloco de Esquerda relembra o alerta lançado em Maio de 2018, também através de uma pergunta, a respeito de um pedido de autorização de investimento realizado pelo CHEDV para a aquisição de uma câmara de fluxo laminar que aguardava resposta da tutela há mais de um ano. O investimento em causa é essencial para melhorar as condições em que são preparados os medicamentos destinados a doentes oncológicos.

Os deputados salientam que “o SNS tem sido capaz de responder a uma epidemia que em muitos países fez colapsar os sistemas de saúde, mesmo quando o setor privado encerrou portas ou se recusou a colaborar para prestar cuidados à população” e afirmam que “agora é tempo de se retomar a atividade programada que foi adiada” e de combater as listas de espera. Para isso necessitará de reforço de meios em vez do seu desvio para centros médicos privados.