Em conferência de imprensa, Sérgio Moro anunciou a sua demissão de ministro da Justiça do Governo de Jair Bolsonaro, na sequência da demissão do diretor da Polícia Federal (PF).
A demissão de Mauricio Valeixo foi publicada no Diário Oficial, sem ter a assinatura do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e sem este ter tido conhecimento prévio.
O antigo juiz do caso Lava Jato começou a conferência de imprensa lamentando a sua realização: “Quero lamentar esse evento na data de hoje, estamos passando por uma pandemia do Covid-19. Busquei ao máximo evitar esse evento, mas não foi por minha opção”, afirmou.
Moro contou que disse a Bolsonaro que não se opunha à mudança no comando da PF, desde que este lhe apresentasse uma razão. "Precisava de uma causa para isso, como insuficiência de desempenho, um erro grave. Vi que o diretor-geral cumpria o seu trabalho de forma positiva", salientou.
"Disse ao Presidente que seria uma interferência política, e ele disse que seria mesmo", afirma Moro, sublinhando que Bolsonaro "queria colocar uma pessoa dele, com quem pudesse recolher informações e relatórios de inteligência”.
“Realmente, o papel da PF não é prestar esse tipo de informações", diz Moro, considerando que a sua demissão visa proteger os órgãos judiciais.
Esta não é apenas mais uma demissão no Governo Bolsonaro. Sérgio Moro é o líder de uma das alas principais da aliança que compôs o atual governo brasileiro, para além dos representantes das forças armadas e dos grandes interesses económicos diretos.
No twitter, Guilherme Boulos destaca que Moro acusou Bolsonaro de “desvio de função e tentativa de obstrução de justiça” e afirma: “se confirmar as acusações e houver ainda alguma lei neste país, Bolsonaro cai”.
Moro acusou Bolsonaro abertamente de desvio de função e tentativa de obstrução de justiça. Tem o dever de dar detalhes ao Ministério Público e ao Congresso. Se confirmar as acusações e houver ainda alguma lei neste país, Bolsonaro cai. #ForaBolsonaro
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) April 24, 2020