A Coordenação Portuguesa do Pastef, Patriotas Africanos do Senegal pelo Trabalho, a Ética e a Fraternidade, um partido de esquerda senegalês fundado em 2014, enviou este domingo uma nota de imprensa na qual, na sequência da prisão do seu principal dirigente, Ousmane Sonko, critica “as derivas autoritárias do regime do Presidente Macky Sall e a sua instrumentalização da justiça para silenciar e reprimir a oposição”, afirmando que estas “têm tido elevados custos em vidas humanas e constituem ameaças graves à ordem constitucional”.
A secção portuguesa do partido, junta a esta tomada de posição a tradução de um comunicado do secretariado deste partido onde se pode ler que Sonko “foi ilegalmente detido ontem na sua casa, em violação de todos os seus direitos, por elementos da guarda republicana (gendarmeria) que escalaram os muros da sua casa e arrombaram a sua porta, tudo isto sem mandado”. Acrescenta-se que “os motivos da sua detenção não correspondem de modo algum às acusações de que é alvo agora”, denunciando-se “uma conspiração premeditada, concebida nas mais altas esferas com cúmplices em França, para contrariar a queixa por crimes contra a humanidade apresentada pelo seu advogado Juan Branco ao Tribunal Penal Internacional”.
A direção deste partido pensa que, “depois de ter falhado todos os planos para neutralizar, silenciar e eliminar um adversário político, estamos agora perante uma tentativa cuidadosamente planeada para liquidar o favorito às eleições presidenciais de 2024”, “instrumentalizando descaradamente as instituições do Estado, em particular o aparelho repressivo…”
O presidente Macky Sall é acusado de ser “um homem que perdeu toda a lógica e que utiliza os meios do Estado para silenciar a sua população e eliminar todos aqueles que se lhe opõem” e de “inventar acusações que vão no sentido de o acusar dos crimes cometidos pelos bandidos da Aliança Pela República [o partido do presidente] contra o povo senegalês durante os últimos dois anos, que o mundo inteiro testemunhou, a fim de o tornar inelegível, mas sobretudo, para encarcera-lo para toda a vida!”
O Pastef apela à resistência contra a “opressão do regime” e pela libertação de Sonko, sublinhando que a sua candidatura às próximas eleições presidenciais “não é negociável e não existe qualquer fundamento para o seu impedimento”.
Apela ainda à comunidade internacional para exigir a Macky Sall “que ponha fim à sua ditadura para nos poupar a uma situação de caos, a fim de preservar a tradição senegalesa de diálogo, de paz e de estabilidade.”