Nesta terça-feira, João Semedo lembrou que "o primeiro-ministro nos últimos dias tem ameaçado os portugueses de reduzir as reformas e de criar uma taxa artificial, uma taxa complementar, sobre as pensões", e afirmou: "É caricato que o primeiro-ministro que faz esta ameaça venha hoje dizer que vai baixar os impostos quando se sabe que ele preside a um Governo que fez o maior aumento de impostos de toda a democracia portuguesa".
Passos Coelho tinha admitido “reduzir o peso da carga fiscal”, aceitando que a carga fiscal sobre o trabalho é demasiado pesada, na apresentação em Paris do relatório da OCDE sobre a chamada “reforma do Estado”.
Sobre o relatório da OCDE, João Semedo disse: "Mais do que o estudo objetivo, imparcial, técnico, baseado na realidade, aquilo é uma cartilha ideológica, respondendo e respeitando aquilo que são os pressupostos políticos e ideológicos de uma organização como a OCDE".
E exemplificou: "Dizer que reduzir o subsídio de desemprego aumenta a coesão social diz tudo do vazio e do disparate do estudo como aquele que a OCDE hoje divulgou".
Sobre a diminuição do IRS preconizada pela OCDE, Semedo afirmou: "Para qualquer observador que olhe para a economia do país, para a economia portuguesa e para a carga fiscal que se abate sobre os cidadãos, não é preciso ser grande especialista para perceber que a nossa carga fiscal tem de ser reduzida".
O coordenador do Bloco salientou que o país tem "uma carga fiscal distribuída de uma forma muito desigual", penalizando "mais os rendimentos de trabalho e menos os rendimentos de capital e de propriedade" e frisou "a OCDE, quando fala na redução dos impostos, não está a pensar em aumentar a carga fiscal sobre os rendimentos de capital, de património, de propriedade".
A terminar, João Semedo sublinhou ainda: "A cartilha da OCDE é conhecida e é sempre contra quem trabalha, é sempre contra o papel do Estado na economia, é sempre contra as funções sociais do Estado que, para a OCDE, são apenas mais espaços de privatização. Essa é a cartilha da OCDE que, aliás, ajuda ao Governo neste momento".