Semedo: “Passos Coelho admitir baixar impostos é atirar poeira para os olhos”

15 de maio 2013 - 1:12

O coordenador do Bloco de Esquerda declarou que Passos Coelho está a “atirar poeira para os olhos”, a “iludir e enganar as pessoas”, quando admite reduzir carga fiscal. João Semedo considerou também que o relatório da OCDE sobre Portugal é uma “cartilha ideológica” que “ajuda o governo neste momento”.

PARTILHAR
Passos Coelho admitiu baixar impostos, João Semedo replica dizendo que o primeiro-ministro está a “atirar poeira para os olhos”, a “iludir e enganar as pessoas” - Foto de Yoan Valat/Epa/Lusa

Nesta terça-feira, João Semedo lembrou que "o primeiro-ministro nos últimos dias tem ameaçado os portugueses de reduzir as reformas e de criar uma taxa artificial, uma taxa complementar, sobre as pensões", e afirmou: "É caricato que o primeiro-ministro que faz esta ameaça venha hoje dizer que vai baixar os impostos quando se sabe que ele preside a um Governo que fez o maior aumento de impostos de toda a democracia portuguesa".

Passos Coelho tinha admitido “reduzir o peso da carga fiscal”, aceitando que a carga fiscal sobre o trabalho é demasiado pesada, na apresentação em Paris do relatório da OCDE sobre a chamada “reforma do Estado”.

Sobre o relatório da OCDE, João Semedo disse: "Mais do que o estudo objetivo, imparcial, técnico, baseado na realidade, aquilo é uma cartilha ideológica, respondendo e respeitando aquilo que são os pressupostos políticos e ideológicos de uma organização como a OCDE".

E exemplificou: "Dizer que reduzir o subsídio de desemprego aumenta a coesão social diz tudo do vazio e do disparate do estudo como aquele que a OCDE hoje divulgou".

Sobre a diminuição do IRS preconizada pela OCDE, Semedo afirmou: "Para qualquer observador que olhe para a economia do país, para a economia portuguesa e para a carga fiscal que se abate sobre os cidadãos, não é preciso ser grande especialista para perceber que a nossa carga fiscal tem de ser reduzida".

O coordenador do Bloco salientou que o país tem "uma carga fiscal distribuída de uma forma muito desigual", penalizando "mais os rendimentos de trabalho e menos os rendimentos de capital e de propriedade" e frisou "a OCDE, quando fala na redução dos impostos, não está a pensar em aumentar a carga fiscal sobre os rendimentos de capital, de património, de propriedade".

A terminar, João Semedo sublinhou ainda: "A cartilha da OCDE é conhecida e é sempre contra quem trabalha, é sempre contra o papel do Estado na economia, é sempre contra as funções sociais do Estado que, para a OCDE, são apenas mais espaços de privatização. Essa é a cartilha da OCDE que, aliás, ajuda ao Governo neste momento".

Termos relacionados: Política