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"Se a Constituição não vale, temos o país a saque"

Num comício do Bloco em Portimão, Catarina Martins acusou Passos Coelho de ter escolhido a Constituição como inimigo "porque não quer ter nenhum muro nem barreira a impedir o saque que está a ser feito ao país".
Catarina Martins promete defender a Constituição que Passos Coelho vê como inimiga dos seus compromissos com a troika. Foto Tiago Ivo Cruz

A coordenadora bloquista respondeu este sábado à noite em Portimão ao discurso do líder do PSD, feito na véspera em Quarteira. Catarina Martins registou as palavras de Passos Coelho quando disse "que o país está mal e vai ficar pior, com mais cortes nos salários, pensões e serviços públicos. Mas foi mais longe e é de uma extraordinária gravidade que seja possível num país democrático como Portugal que um primeiro-ministro tente ter a Constituição como o seu inimigo", sublinhou a coordenadora bloquista.

Para Catarina Martins, aquilo que Passos Coelho apresentou aos seus apoiantes em Quarteira foi "um programa completo de suspensão da Constituição". "Para o primeiro-ministro a Constituição não pode valer. E se a Constituição não vale, então nada vale: é um país a saque", acrescentou.

"A Constituição é o contrato que diz que o nosso país não é um país da lei da selva nem se transforma numa praça de jorna de qualquer praça financeira", prosseguiu, garantindo que o Bloco de Esquerda estará presente em todas as batalhas para a defender. "Passos Coelho ataca a Constituição porque não quer nenhum muro a impedir o saque que está a ser feito ao país. Nós não podemos nem vamos aceitar a destruição de conquistas de décadas", garantiu Catarina Martins. 

"Este não é um país de gente resignada, é um país que conseguiu em 40 anos sair da miséria e da pobreza", razão pela qual o Bloco acredita que "esta força com que andámos até agora não deixará que venha um qualquer Passos Coelho ou um qualquer Paulo Portas dissimulado, revogável e irrevogável, ou a quadrilha de gente que veio da finança para o governo" pôr em causa esses avanços. A coordenadora bloquista não esqueceu no seu discurso de apontar as ligações entre o governo e os que tentaram arruinar o Estado, através dos swaps para mascarar a dívida pública, ou ao universo da SLN, para concluir que "é esta podridão que odeia a Constituição, porque é a Constituição que impede o saque".

 

"A marca deste governo é a do salário escravo"

Num balanço da governação do PSD e do CDS, Catarina Martins falou do "meio milhão de postos de trabalho destruídos pelo governo e pela troika" e destacou que "só houve um tipo de emprego que cresceu: o subemprego, pago a menos de 310 euros por mês e precário". "A marca deste governo é a marca do salário escravo, a marca do contrato precário e a marca da tragédia de tantas famílias", que assistem à "sangria de gerações qualificadas" com a emigração e o desemprego, ou ao aumento do número de casais desempregados, que disparou 45% no último ano.

"Diziam que o país tinha vivido acima das suas possibilidades e era preciso cortar a dívida", mas a verdade, explicou a dirigente do Bloco, é que a dívida está mais alta do que nunca e o FMI prevê que aumente muito mais até ao final do ano. Catarina Martins defendeu que a primeira exigência de um governo de esquerda "é parar o saque e deixar o país respirar: não pode haver despedimentos na função pública nem cortes nas pensões ou nos serviços públicos". Por outro lado, acrescentou, "o crescimento do país exige que tudo o que foi roubado seja devolvido" e de uma alteração do sistema fiscal "que peça sacrifícios a quem mais pode, mas nunca contribuiu".

 

Limitação de mandatos é "a higiene necessária em democracia"

As eleições de 29 de setembro foram também tema do comício, onde participou o candidato bloquista a Portimão, João Vasconcelos. Catarina Martins apelou aos presentes para que "não tenham ilusões: as eleições autárquicas não são uma política dos pequeninos nem são para escolher uma cara ou outra", defendendo que há temas decisivos em debate, como o da a privatização ou concessão de serviços públicos, como a água, a que as candidaturas do Bloco se opõem claramente. 

"Passos Coelho diz que não vai tirar ilações das eleições autárquicas. Mas queira ou não queira, o resultado terá também reflexo na sua governação.  Precisamos de uma luta para derrubar o governo e acabar com o saque e isso faz-se também nas autárquicas". 

Mas antes das eleições, o líder do PSD ainda vai conhecer o veredito sobre os candidatos dinossauros que o seu partido apresenta. Para Catarina Martins, "há partidos que decidiram inventar frinchas na lei" para recandidatar os seus autarcas a um quarto mandato, pelo menos. "Não sabemos como o Trbunal Constitucional vai decidir, mas sabemos que a exigência da democracia é que se vá a votos com renovação e com responsabilidade, para que o poder não se perpetue", defendeu a coordenadora bloquista, sublinhando que a lei que limita os mandatos "é a higiene necessária em democracia, e lutamos por ela".

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