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Saúde mental piorou para maioria dos estudantes universitários

Inquérito das associações académicas a mais de quatro mil estudantes avaliou o impacto da pandemia para quem estuda no Ensino Superior.
Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Foto Mário Cruz/Lusa

Associações e Federações Académicas fizeram um inquérito ao impacto da covid-19 nos estudantes do Ensino Superior, que procurou avaliar a saúde mental e o percurso académico dos mais de quatro mil inquiridos.

O principal resultado, indica a Federação Académica de Lisboa em comunicado citado pela Lusa, foi que cerca de 55% dos estudantes admitiram ter piorado muito o seu estado de saúde mental e 38% diz que esses sentimentos tiveram interferência no desempenho académico.

O inquérito concluiu que 53% dos inquiridos demonstrou ter problemas do foro mental graves e 28% teve necessidade de tomar medicação, com quase metade a fazê-lo sem prescrição médica. Os números baixam no que diz respeito aos estudantes que procuraram ajuda especializada na área da saúde mental durante a pandemia (17%). Dos restantes, 22.6%  só não procurou auxílio por razões económicas e 17% por vergonha, estigma ou preconceito. 42.7% diz ter ultrapassado as dificuldades sozinhos e 40% com ajuda de familiares e/ou amigos.

A grande maioria dos inquiridos (62%) diz não ter conhecimento sobre as soluções de apoio psicológico ou psiquiátrico disponibilizado pelas instituições de Ensino Superior. E dos que já recorreram a estes serviços (13.7%), mais de metade diz que isso não lhes resolveu o problema.

O abandono dos estudos foi uma opção ponderada por 41% dos inquiridos desde o início da pandemia, devido a insatisfação com o curso.

Para a Federação Académica de Lisboa, estes resultados  são “preocupantes” e mostram “não só os efeitos devastadores da pandemia na saúde mental nos estudantes do ensino superior e consequentemente no seu desempenho académico, mas também os entraves ao acesso a apoios psicológicos e psiquiátricos associados a elevados níveis de automedicação”.

No último encontro de dirigentes associativos realizado em maio, as associações propuseram a criação de gabinetes de apoio ao estudante em rede financiada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e do Ensino Superior e pelo Ministério da Saúde em articulação com os cuidados de saúde primários do Serviço Nacional de Saúde, bem como a divulgação dos apoios já existentes e a reativação das linhas de aconselhamento psicológico gratuitas.

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