O arranque da pré-campanha eleitoral fez-se com a visita de Mariana Mortágua ao concelho de Abrantes, onde, juntamente com a lista encabeçada por Bruno Góis, reuniu com o Conselho de Administração do Hospital do Médio Tejo. Salvar o SNS é uma das prioridades no país e para isso são necessárias medidas sérias, como a implementação de um regime de exclusividade a sério e a contratação de 2000 médicos e 2000 enfermeiros. Assim, poupar-se-iam 100 milhões de euros em tarefeiros e 302 milhões de euros em horas extra.
No início de Março, a candidatura do Bloco ao círculo eleitoral de Santarém reuniu com com a direção executiva das Oficinas da CP, no Entroncamento. O objetivo passou por colocar a ferrovia no centro do debate político, tanto pela sua importância económica para a região, bem como pela necessidade urgente de investimento público.
Nesta valência oficinal estão empregados cerca de 400 trabalhadores e está estabelecida uma ligação às escolas profissionais e superiores. Porém a empresa pública tem dificuldade em atrair mais quadros qualificados, devido às baixas remunerações e às poucas perspetivas de progressão na carreira profissional. Somam-se as poucas capacidades do território para fixar as populações jovens, nomeadamente devido à falta de habitação a preços comportáveis. Também o edificado das oficinas precisa de investimento. É preciso não só impedir a infiltração de chuva e melhorar o isolamento térmico, como também é necessário atualizar os espaços de produção, dotando-o das condições para que tenham um papel central na modernização ferroviária de que o país precisa, seja para fortalecer o tecido económico e industrial nacional, seja para descarbonizar as formas de mobilidade e responder à emergência climática.
Campanha nas oficinas da CP no Entroncamento
Na altura, o candidato Bruno Góis defendeu que "é urgente investir em emprego qualificado no distrito" e que "os eleitos do Bloco de Esquerda vão lutar pela instalação de um parque tecnológico da CP no Entroncamento, ampliando e modernizando as valências existentes. Esse investimento deve ser feito em instalações, em equipamentos e no aumentar do salário dos trabalhadores das oficinas da CP".
"Obras megalómanas, como transvases ou mais barragens, não resolvem o problema da falta de água"
Outro dos grandes compromissos do Bloco para com o distrito de Santarém é a defesa de melhores políticas públicas de gestão da água. A candidatura reuniu com a empresa pública Águas do Ribatejo, em Salvaterra de Magos. Bruno Góis aproveitou a iniciativa para relevar o impacto que a falta de água tem em todo o Ribatejo e que este problema tem tendência a agravar-se, à medida que a emergência climática avança. Góis defendeu que "é preciso investir mais nas redes de abastecimento, para reduzir as perdas de água elevadas que se registam em todo o distrito de Santarém" e que "a água tratada, geralmente, não é reaproveitada para regas e limpezas, por exemplo", o que, a seu ver "constitui uma falha grave no que concerne à proteção do ambiente e põe em risco as pessoas e economia ribatejanas".
Na questão hídrica, o Bloco de Esquerda deixou claro que "obras megalómanas, como transvases ou mais barragens, não resolvem o problema da falta de água", além de serem "ideias dispendiosas e irrealistas, que atacam a preservação da natureza e da biodiversidade e que não oferecem perspetivas de desenvolvimento económico para o Ribatejo".
Campanha na feira de Santarém com Catarina Martins
O candidato à Assembleia da República pelo Bloco reconheceu que as empresas responsáveis pelo abastecimento de água "têm, ainda, um caminho a percorrer para reduzir as perdas de água e a implementar mecanismo de reaproveitamento das águas tratadas". E reclamou a centralidade da questão hídrica para o distrito e para o país, assumindo que defenderá, no Parlamento português, medidas como "a revisão do Plano Nacional da Água e os consequentes investimentos na região, sejam para reduzir perdas de água, sejam para aumentar a reutilização das águas tratadas", "a revisão da Convenção de Albufeira, para permitir a manutenção de caudais ecológicos no Rio Tejo", "a modernização das ETAR de Alcanena e Seiça" e a "instauração de apoios a pequenos e médios agricultores para que adotem tecnologias de rega mais eficientes".
Agência Portuguesa do Ambiente é opaca sobre o estado dos rios
Alguns dias depois, a candidatura reuniu com a Aquanena, empresa pública responsável pelo abastecimento de água no concelho de Alcanena. Na iniciativa, abordou-se, além da gestão da água, os problemas relacionados com a ETAR de Alcanena, que trata águas provenientes da indústria de curtumes.
Após a reunião, a candidatura bloquista acusou o governo de não ter sido capaz de articular as políticas ambientais nacionais, para resolver o problema das lamas daquela ETAR. De acordo com Bruno Góis, "além do investimento público na modernização da ETAR de Alcanena, é necessário resolver o problema das lamas. Estas lamas contêm detritos de origem industrial, cuja solução, atualmente, é o depósito em aterro. Esta é uma questão nacional e não apenas municipal". Para ir além da solução de aterro, o candidato bloquista defendeu que é preciso apostar "na investigação científica para permitir e assegurar a economia circular na gestão dos resíduos industriais".
Campanha à porta da fábrica da Renova
Nessa mesma data, a candidatura mostrou-se preocupada com o facto de as entidades públicas com responsabilidades ambientais não fazerem a divulgação da monitorização das linhas de água. Esta opacidade sobre o estado e conservação dos rios é um problema nacional. Os bloquistas querem mais transparência através da publicação e atualização regulares dos resultados de análises e monitorizações nos rios, para que a população esteja informada e segura.
Comício em Torres Novas
Bloco defende passes únicos municipais e intermunicipais
No início da semana que antecedeu o início do período de campanha eleitoral oficial, a candidatura reuniu com a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT). Os transportes e a mobilidade da região foram abordados e amplamente discutidos. A CIMLT apresentou à candidatura bloquista o seu projeto para os transportes públicos, o qual inclui a criação de uma empresa pública intermunicipal e a compra da gare rodoviária de Santarém. O Bloco de Esquerda, que valoriza a criação desta empresa pública, defendeu que este investimento deve ser potenciado com a criação de um passe único que junte autocarros e comboios. A existência de vários passes representa um custo acrescido para os utilizadores e desincentiva o uso dos transportes públicos. Em toda a CIMLT, apenas 13% das pessoas usam os transportes públicos nas deslocações diárias. O Bloco defende uma ampliação do envelope financeiro nacional para a redução tarifária que permita, nomeadamente, um acordo entre a CIMLT, a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e a Área Metropolitana de Lisboa para alargar o passe social que neste momento só chega até Azambuja.
Campanha pelos transportes públicos em Torres Novas
O programa do Bloco propõe também o alargamento da gratuitidade dos transportes a todos os jovens até aos 25 anos e todas as pessoas com 65 ou mais anos. Para os demais casos, o Bloco defende passes únicos municipais e intermunicipais que não vão além dos 15 e dos 20 euros respetivamente.
Outra matéria abordada na reunião foram as necessidades de construir a nova ponte da Chamusca e concluir o traçado do IC3, com ligação da A13 em Atalaia (Vila Nova da Barquinha) a Almeirim, e as ligações rodoviárias à A23.
A lista reuniu dias mais tarde com a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, onde os transportes coletivos estiveram, novamente em cima da mesa. Após a reunião, e em declarações à imprensa regional, Bruno Góis afirmou que "o investimento em transportes coletivos é uma forma de fazer frente à emergência climática, descarbonizando a economia e retirando carros das estradas, ao mesmo tempo que se garantem poupanças significativas para as famílias, uma vez que a proposta do Bloco para o passe intermodal e inter-regional permite tanto a estudantes e trabalhadores deslocarem-se, por exemplo, de Tomar ou do Entroncamento para Lisboa, com reduzidos impactos ambientais e baixos custos".
A Água e a economia foram também trazidas para a iniciativa por Bruno Góis, que apresentou preocupações com a gestão e o uso da água, em particular na Barragem de Castelo de Bode e região envolvente. O bloquista considerou que há decisões, com particulares impactos naquela área, que estão há muito a ser proteladas pelos governos.
Por outro lado, o fecho e reconversão da Central do Pego foram também abordados, tal como a criação da nova NUT II Oeste e Vale do Tejo, que abrange 34 municípios, e se espera que altere e aumente a capacidade de aceder a fundos europeus, de forma a mitigar a crescente dificuldade que a região tem para alcançar o crescimento económico que coloque a o Médio Tejo, a Lezíria e o Oeste numa rota de desenvolvimento social, económico e ambiental.
"O próximo Governo tem de avançar com a nova ponte e concluir a A13"
Na derradeira semana de campanha, os bloquistas realizaram reuniões de trabalho a Associação Eco-Parque do Relvão (AEPR) e com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). As preocupações ecologistas e o desenvolvimento económico do distrito de Santarém foram os temas centrais em ambas as reuniões. Os bloquistas apresentaram alguns dos compromissos para o distrito a ambas as entidades.
Campanha no Mercado de Alcanena
Com a AEPR, cuja reunião se realizou na Chamusca, Bruno Góis ouviu as preocupações dos dirigentes da associação no que toca ao fluxo e especificidades do tráfego rodoviário, cujo destino é o Eco-Parque do Relvão. No final da iniciativa, acusou os sucessivos atrasos e adiamentos dos governos no que concerne à conclusão do IC3/A13 e aos inexistentes investimentos para resolver os constrangimentos quotidianos que se verificam na Ponte da Chamusca. Para os bloquistas, "a circulação de camiões tem de ser desviada do centro das localidades para favorecer o bem-estar das populações e para melhorar e potenciar o desenvolvimento económico". "O próximo Governo tem de avançar com a nova ponte e concluir a A13, a região não pode continuar a perder investimento económico por falta de infraestruturas", concluiu Bruno Góis.
Depois de reunir com a Direção Regional do ICNF, em Rio Maior, o candidato do Bloco de Esquerda afiançou que "as políticas públicas escolhidas pelos governos do PS dão pouca importância à conservação do meio ambiente e da biodiversidade, pelo que a representação de esquerda de Santarém tem que exigir políticas públicas mais ecológicas e que defendam melhor o interesse das populações". A posição de Bruno Góis foi assumida, depois da iniciativa com o ICNF, onde se discutiu a atual "proliferação dos parques solares no distrito de Santarém". Os bloquistas mostraram preocupação igualmente pela necessidade de melhorar os salários e aumentar a fixação de profissionais nos serviços públicos, de forma a tornar, por exemplo, a fiscalização e as avaliações ambientais de projetos económicos mais eficazes.
Campanha nas oficinas da CP no Entroncamento
Campanha na feira de Santarém com Catarina Martins
Campanha à porta da fábrica da Renova
Comício em Torres Novas
Campanha pelos transportes públicos em Torres Novas
Campanha no Mercado de Alcanena