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Santander duplicou investimento em combustíveis fósseis em dois anos

Um relatório sobre os bancos que mais financiam os combustíveis fósseis informa que são os norte-americanos que ficam no top. Mas o Santander e o BBVA, bancos espanhóis que operam em Portugal, também são destacados como tendo aumentado investimentos nesta área.
Banco Santander Tota. Foto de Paulete Matos.
Banco Santander Tota. Foto de Paulete Matos.

O relatório Banking on Climate Chaos 2021, da responsabilidade da Rainforest Action Network, BankTrack, Indigenous Environmental Network, Oil Change International, Reclaim Finance e Sierra Club e com o apoio de mais de 300 outras organizações em 50 países, revela a distância entre o discurso de responsabilidade ambiental dos maiores bancos mundiais e as suas práticas de financiamento de atividades económicas altamente lesivas do ambiente.

O abrandamento económico devido à pandemia fez com que no ano passado o financiamento bancário para os combustíveis tenha diminuído 9%. Mas ainda assim foram canalizados para estas empresas 750 mil milhões de dólares, um investimento maior que em 2016. Desde a assinatura do acordo de Paris, em 2015, os 60 bancos mais importantes do mundo investiram 3,8 biliões de dólares nas empresas de carvão, petróleo e gás.

Bancos espanhóis aumentam investimento nos combustíveis fósseis

De entre as várias instituições bancárias presentes neste relatório, o jornal La Marea destaca o papel do Banco Santander. Ao contrário das promessas contidas nos seus planos e estratégias para combater as alterações climáticas, a realidade é que, nos últimos dois anos, o banco espanhol duplicou o seu investimento em combustíveis fósseis. Em 2020, esta entidade canalizou 9.6 mil milhões de dólares para estas empresas poluidoras, aumentando 17% o que tinha investido em 2019 e 102% o que tinha investido em 2018.

Se lhe somarmos outro grande banco espanhol, o BBVA, e se continuarmos a contabilizar a partir do momento simbólico da assinatura do Acordo de Paris, o financiamento dos dois bancos do país vizinho aos combustíveis fósseis é de 56.3 mil milhões de dólares, sendo o Santander responsável por 34 mil milhões e o BBVA por 22.3 mil milhões. Tal como o Santander, também o BBVA está a aumentar este tipo de investimentos: em 2020 foram 4.8 mil milhões de dólares, o número mais alto dos últimos cinco anos.

O top da poluição bancária

O estudo aponta os bancos norte-americanos como os maiores financiadores das empresas de combustíveis fósseis. Em 2020, destacado, surge o JPMorgan Chase. Nos últimos quatro anos investiu 316.7 mil milhões de dólares nesta área. O segundo classificado, o Citi, investiu 33% menos que isso. E o terceiro, a Wells Fargo fica no top 3, apesar de ter cortado 42% deste tipo de investimento.

Na Europa, o pior banco é o Barclays, mas o BNP Paribas também merece destaque pela negativa por ter investido 41 mil milhões de dólares em 2020, uma subida de 41% relativamente ao ano passado.

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