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Salários: proposta do Governo provoca perda de 8% em dois anos

Os funcionários públicos perderão 8% do seu poder de compra se o Governo concretizar a proposta de aumentos salariais de 2% para 2023, depois de o aumento de 0,9% em 2022 ter sido consumido de imediato pela inflação.
Foto de Ana Mendes

Em entrevista à TVI, António Costa avançou com o número de 2% como referência para os aumentos salariais na Administração Pública no próximo ano. Isto apesar de a inflação prevista para o conjunto de 2022 ser de 7,4%, um ano em que o Governo aumentou em apenas 0,9% os salários dos funcionários públicos. Nas contas do jornal Eco, um aumento de 2% em 2023 significará uma perda do poder de compra de 8% no conjunto dos dois anos para estes trabalhadores.

Mas a perda de poder de compra não se resume aos últimos dois anos. Segundo um estudo do economista Eugénio Rosa sobre as remunerações da administração pública, a perda de salário real desde o início de 2011, véspera da entrada da troika, até junho deste ano foi de 8,9% para o conjunto dos trabahadores. Caso avance agora a proposta de António Costa, essa perda de poder de compra vai disparar para os 14% em pouco mais de uma década.

Sindicatos dizem que proposta é inaceitável

Os sindicatos reagiram com indignação às palavras de António Costa. "Mais uma vez, anuncia as negociações pela comunicação social. Andamos a dizer a mesma coisa desde que António Costa é primeiro-ministro. Não nos agrada este início de negociações", afirmou Sebastião Santana, da Frente Comum.

“Quando a inflação era zero não se podia aumentar salários, e quando agora se cifra em 7,4%, não se pode aumentar porque vai contribuir para aumento da inflação”, afirmou o sindicalista ao Eco, considerando a proposta “inaceitável”, pois resulta num “empobrecimento dos trabalhadores".

Também José Abraão, da Fesap, diz que “é completamente inaceitável que se passe por cima de uma desvalorização dos salários de 7,4% e se avance com um número eventual de uma inflação futura, quando até há pouco tempo, o Governo para nos impor um aumento de 0,9%, descontou 0,1% da deflação de 2020″. Ambos os sindicalistas concordam que o Governo está a fazer o contrário daquilo que prometeu no seu programa, que era aumentar os salários durante a legislatura.

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