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“Salários devem voltar a ser pagos a 100 por cento”, com ou sem lay-off

No final da reunião do Bloco de Esquerda com o Governo, Catarina Martins defendeu a necessidade de prolongar e reforçar os apoios sociais. E propôs a criação de uma contribuição solidária por parte de empresas que não sofreram com a crise e até viram os lucros a crescer em tempo de pandemia.
Reunião da delegação do Bloco de Esquerda com o Governo, segunda-feira 25 de maio de 2020, foto de António Cotrim/Lusa
Reunião da delegação do Bloco de Esquerda com o Governo, segunda-feira 25 de maio de 2020, foto de António Cotrim/Lusa

Uma delegação do Bloco de Esquerda, composta por Catarina Martins, Pedro Filipe Soares, Mariana Mortágua e Jorge Costa, reuniu esta segunda-feira com o primeiro-ministro António Costa, acompanhado pelo ministro das Finanças, Mario Centeno, pelo ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e pela ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva.

Catarina Martins começou por alertar que há medidas que não podem esperar pelo orçamento suplementar para serem implementadas, referindo-se, nomeadamente, a garantia de acesso a bens essenciais e a medidas de apoio social.

Salários devem voltar a ser pagos na íntegra”

A coordenadora bloquista apontou, a seguir, as três questões principais que o Bloco apresentou ao Governo.

“Em primeiro lugar, que não é possível a manutenção da desvalorização salarial prolongada, por via do lay-off”, afirmou Catarina Martins, salientando que se “continuar o lay-off como está até agora, durante mais meses”, isso significa que “todas as pessoas que ganham mais do que o salário mínimo estão a ter uma perda salarial, ou seja, estão os salários em Portugal a serem redesenhados em baixa”.

“O desenho de uma nova medida que venha a substituir a medida atual deve ter em conta a necessidade de os salários serem pagos a 100%”, frisou. E, acrescentou que o Bloco não põe de lado “a necessidade de medidas para manter o emprego e apoiar as empresas na manutenção do emprego”, porém, “é importante que essas medidas tenham em conta que os salários sejam pagos a 100%”.

Reforço das medidas de emergência social

“Em segundo lugar, todas as medidas que dizem respeito à emergência social”, devem ser prolongadas e devem também ser aprofundados os apoios sociais, destacou a coordenadora do Bloco de Esquerda. Referiu, nomeadamente, as medidas de garantia ao direito à habitação, aos bens essenciais, (água, luz, gás, comunicações) e também outros apoios, como alimentares, acesso à saúde e outras “medidas que são essenciais de emergência social”.

Contribuição solidária

Catarina Martins referiu, por fim, que há empresas que precisam de apoios, apontando que “é importante que as empresas não estejam a fazer pagamentos por conta relativos a lucros que tiveram no ano passado, quando este ano estão em dificuldades”, e salientou que “há setores que ganham com a crise e que devem ser chamados a uma contribuição solidária”.

“Há setores como o setor segurador que não tem cobertura para nenhum dos prejuízos provocados pela pandemia, mas que na verdade não desceu os seus prémios de seguro”, afirmou a deputada, considerando que “há áreas em que devem descer os prémios de seguro”.

Catarina Martins referiu ainda medidas de equilíbrio na energia, “tendo em conta até a queda do preço do petróleo nos mercados internacionais” e sublinhou que “há grandes empresas que conseguem grandes lucros mesmo no período que estamos a viver”.

“Estas empresas devem ser chamadas a uma contribuição solidária para responder à pandemia, porque é a forma de conseguirmos encontrar também uma participação, uma solidariedade, das empresas que não são afetadas pela crise ou até que têm mais lucros”, afirmou Catarina Martins a concluir as suas declarações.

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