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Sala de consumo assistido já atendeu dezenas de consumidores em Lisboa

Em funcionamento desde abril, a unidade móvel de consumo vigiado garante higiene, segurança e acompanhamento médico e social a consumidores de maior risco na zona oriental da capital.
Primeira unidade móvel de consumo vigiado funciona desde abril na zona oriental de Lisboa. Imagem SIC.

Uma reportagem SIC/Expresso publicada este sábado deu a conhecer uma experiência que a lei portuguesa consagra desde 2001, mas que só viu a luz do dia em abril: a primeira unidade de consumo vigiado, ou “sala de chuto”, já foi utilizada por meia centena de consumidores da zona oriental de Lisboa.

A proposta constava do programa do Bloco de Esquerda para a cidade e foi aprovada no ano passado apenas com os votos contra dos vereadores do CDS. A esta unidade móvel deverão juntar-se em breve mais duas unidades noutras zonas de Lisboa onde o consumo de drogas hoje é feito a céu aberto. Para o vereador bloquista Manuel Grilo, a concretização destas unidades “vem com um atraso de 18 anos”.

“Estes programas dirigem-se a pessoas muito fragilizadas em termos sociais, de saúde e que precisam de uma resposta especializada. São pessoas que consomem há muito tempo e que necessitam de um local higiénico e seguro para a sua segurança e da comunidade que os rodeia”, afirmou o vereador do Bloco ao Expresso.

Salas de consumo vigiado vão dar resposta a 1.400 consumidores de risco

A Câmara de Lisboa calcula que as salas de consumo vigiado possam dar resposta a cerca de 1400 consumidores em maior risco. Uma população em situação de pobreza e exclusão, parte dela sem-abrigo, que usa terrenos descampados ou prédios abandonados para consumir, com idade média de 40 anos e que partilha seringas e mais frequentemente contrai infeções bacterianas, VIH ou hepatite B.

A unidade móvel em funcionamento é gerida em parceria com os Médicos do Mundo e o GAT - Grupo de Ativistas em Tratamento e é composta por uma enfermeira, uma assistente social, uma psicóloga um ex-consumidor e uma médica. Não se trata apenas de um espaço para consumir, mas também para aproximar os consumidores do apoio médico, fornecendo consultas no local, ou das respostas sociais que existem para cada caso.

“Também vêm conversar, aqui podem expor as suas dúvidas, os seus problemas. Dizem-me que há muito tempo esperavam por uma solução destas”, disse ao Expresso Vítor Correia, o responsável pelo acolhimento.

Quanto à reação dos moradores aos primeiros dois meses de convivência com a unidade móvel, também tem sido positiva, em grande medida por ter retirado o consumo de drogas injetáveis da via pública, à vista das crianças. Mas não só: “No outro dia precisei de medir a tensão, fui lá e atenderam-me”, disse ao Expresso um morador que não quis ser identificado.

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