"Zeinal Bava deixou a presidência da Oi com pacote de benefícios que lhe garantem 36 parcelas de €150 mil. Serão €5,4 milhões que se acrescentam aos estimados €50 milhões que o executivo recebeu, entre remuneração e prémios, durante a sua trajetória na Portugal Telecom e o processo de fusão com a Oi", refere o "Valor Econômico".
A publicação brasileira adianta ainda que Abílio Martins, "um dos executivos mais próximos" de Bava, também deixa a empresa.
Polémica envolvendo GES terá levado ao seu afastamento
Zeinal Bava entrou na Portugal Telecom (PT) em 1999 pela mão de Eduardo Martins, tendo substituído Henrique Granadeiro no cargo de Presidente Executivo da empresa em abril de 2008. Em 2010 foi o gestor mais bem pago em Portugal, recebendo 1,4 milhões de euros.
No início de junho de 2013, Zeinal Bava assumiu a liderança da operadora brasileira Oi, cargo que acumulou com a presidência da PT Portugal. Quatro meses depois, Bava anunciou a fusão da PT com a OI, explicando que a “ambição” para a nova empresa passava por “estar entre os maiores 'players' globais, assumindo uma vocação multinacional", e afirmar-se “como uma referência em termos de inovação tecnológica, excelência operacional e criação de valor acionista".
A 6 de agosto de 2014, na sequência da polémica sobre o investimento da PT de quase 900 milhões de euros em papel comercial da RioForte, que pertence ao Grupo Espírito Santo, a operadora brasileira Oi anunciou a saída de Zeinal Bava da administração da PT Portugal, bem como de todos os cargos de administração em sociedades da PT. O gestor justificava o seu afastamento argumentando que queria estar “totalmente focado” na fusão entre a PT e a Oi.
Na terça feira, Zeinal Bava acabou também por renunciar ao cargo de Diretor Presidente da Oi, sendo substituído, interinamente, por Bayard Gontijo, Diretor de Finanças e de Relações com Investidores.
Segundo avançou o diário brasileiro "Valor Econômico", alguns acionistas brasileiros da Oi, como a empresa Andrade Gutierrez e o grupo La Fonte, não acreditavam que o gestor português não tinha conhecimento da operação da PT com títulos da dívida da Rioforte.
Venda da PT está iminente
A PT, outrora considerada como uma referência a nível nacional e internacional, está hoje totalmente afundada em dívidas e sem qualquer capacidade de investimento.
O declínio da empresa, ao qual não é, de todo, alheia a alienação da Golden Share do Estado português e a venda da Vivo (ler artigo Portugal Telecom – como se afunda uma empresa) representa um duro golpe para os interesses do país.
A venda iminente da empresa ao grupo francês Altice, do bilionário Patrick Drahi, que assim que adquiriu a Cabovisão impôs o despedimento de 100 funcionários, é apenas mais um capítulo na história da destruição da PT, à qual Zeinal Bava e Henrique Granadeiro deram um importante contributo.