Ricardo Salgado implica acionistas da PT e da OI no negócio com a Rioforte

09 de agosto 2014 - 17:56

Uma troca de emails, a que o Expresso teve acesso, entre Sérgio Andrade, então presidente da Andrade Gutierrez, acionista da OI, e Ricardo Salgado, dão a entender que várias pessoas, entre as quais Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, teriam conhecimento do investimento de 900 milhões de euros da PT na Rioforte. O Expresso põe, contudo, a hipótese de os emails serem “ciladas jurídicas”. Relações financeiras entre a PT e GES estão a ser investigadas.

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Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. Foto EPA/JOAO RELVAS

O Jornal Expresso deste sábado cita emails, do início de julho, entre Sérgio Andrade, então presidente da Andrade Gutierrez, acionista da OI, e Ricardo Salgado, nos quais o ex presidente do BES envolve várias pessoas, que supostamente teriam conhecimento dos 900 milhões de euros que a PT viria a perder na Rioforte, uma das holdings do Grupo Espírito Santo (GES).

Num dos emails, datado de oito de julho, Ricardo Salgado escreve: “Caro Sérgio, estou surpreendido com a situação porque certamente o Sérgio se lembra de que o GES teria uma contrapartida equivalente ao benefício das holdings privadas brasileiras no aumento de capital”.

Segundo avança o Expresso, esta correspondência constitui uma “revelação bombástica”, já que revela que “se o aumento do capital tinha permitido ‘limpar’ dívidas dos acionistas brasileiros junto do banco estatal brasileiro BNDES, havia um acordo que previa que a PT/OI investisse o mesmo valor no GES”.

Neste mesma troca de emails Ricardo Salgado refere ainda ter falado com o presidente executivo da OI, Zeinal Bava, sobre esta matéria e que a mesma foi discutida a 14 de abril no Steering Comitee, composto por Zeinal Bava, Amilcar Morais Pires (que chegou a ser proposto como substituto de Salgado na liderança do BES), Henrique Granadeiro (entretanto afastado da PT), José Mauro da Cunha, Nuno Vasconcellos, Otávio de Azevedo e Pedro Jereissati.

O Expresso põe, contudo, a hipótese de os emails serem “ciladas jurídicas”, “plantados” por Ricardo Salgado para incriminar os acionistas da PT e da OI no negócio com a Rioforte.

Relações financeiras entre a PT e GES estão a ser investigadas

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está, entretanto, a promover uma auditoria à Portugal Telecom (PT) para apurar se existiu uma violação da lei nas operações financeiras realizadas entre a PT e o GES.

O conselho de administração da PT também pediu uma auditoria à PriceWaterhouseCoopers para apurar responsabilidades sobre as relações financeiras entre a PT e o GES desde 2000.

Segundo o Expresso, “a forma pouco clara como os dados sobre as aplicações nas empresas do GES e no BES apareciam nas contas da PT permitia ocultar o tipo e a dimensão das relações financeiras entre ambas”.

Henrique Granadeiro já renunciou ao cargo de presidente da PT e é possível que Luís Pacheco de Melo, o ex-administrador financeiro da PT, também venha a apresentar a sua demissão da PT SGPS nos próximos dias.