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Rússia rejeita apelos internacionais para libertar Navalny

Alexei Navalny foi preso quando regressava à Rússia, após a sua estadia na Alemanha para tratar de um possível envenenamento no seu país. A União Europeia, a ONU e os EUA exigem a sua libertação imediata. Moscovo acusa-os de tentarem desviar as atenções da crise do modelo liberal.
Alexei Navalny ao ser detido à chegada a Moscovo – Foto de Sergei Ilnitsky/Epa/Lusa
Alexei Navalny ao ser detido à chegada a Moscovo – Foto de Sergei Ilnitsky/Epa/Lusa

Alexei Navalny foi detido no domingo, ao chegar ao aeroporto de Sheremetyevo, em Moscovo, quando estava no controlo de passageiros, no regresso da Alemanha.

Os serviços prisionais russos acusam o opositor de Putin de ter violado a pena suspensa por não ter cumprido as apresentações periódicas a que estava obrigado, devido à condenação em 2014 por alegado desvio de fundos. Como é conhecido, Navalny não fez as apresentações periódicas às autoridades russas nos últimos cinco meses, porque estava na Alemanha, para onde foi de emergência a 20 de agosto para tratar de um possível envenenamento.

"Alexei foi detido sem ser apresentada qualquer razão", declarou a sua advogada, Olga Mikhailova, à AFP no aeroporto. "Tudo o que se está a passar é ilegal", acrescentou. No aeroporto foram também presas 53 pessoas, que esperavam a chegada do político russo.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, criticou a prisão de Navalny, considerando-a “inaceitável” e exigindo a sua libertação imediata.

A Amnistia Internacional (AI) pediu a libertação “incondicional” do opositor de Putin.

"Alexei Navalny foi privado da sua liberdade pelo seu ativismo político pacífico e por exercer a sua liberdade de expressão. A Amnistia Internacional considera-o um prisioneiro de consciência e apela à sua libertação imediata e incondicional", acusa a ONG dos direitos humanos.

A responsável da AI em Moscovo, Natalia Zviagina, declarou que esta "é mais uma prova de que as autoridades russas estão a tentar silenciá-lo".

A AI acrescentou ainda: "a organização reitera o seu apelo às autoridades russas para que iniciem uma investigação criminal sobre o envenenamento da Navalny e assegurem que todos os responsáveis sejam levados à justiça num julgamento justo".

Também Ursula von der Leyen divulgou um comunicado onde pede a sua libertação imediata. Defende que as autoridades russas devem “garantir a segurança” de Navalny e apelou a uma “investigação rigorosa e independente” à tentativa de homicídio ao opositor russo. Dos Estados Unidos da América chegam ecos no mesmo sentido, quer da administração cessante, quer de Joe Biden.

Do Kremlin, a resposta veio do chefe da diplomacia Sergei Lavrov, acusando os países ocidentais de terem recebido “com alegria” o regresso de Navalny, pois isso permite-lhes “desviar as atenções da profunda crise em que se encontra o modelo liberal de desenvolvimento".

"A Rússia tenta cooperar e operar de forma construtiva no cenário internacional. Não queremos discutir com outros países, mas sim sentarmo-nos à mesa de negociações para discutir todas as soluções possíveis”, prosseguiu Lavrov, por entre acusações às elites ocidentais que, segundo ele, “procuram ativamente inimigos externos para tentar alcançar os seus objetivos internos, e os encontram na Rússia, na China, no Irão, na Coreia do Norte, em Cuba ou na Venezuela".

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