Como está a vossa organização a mobilizar para a greve geral?
Estamos em fase de mobilização e de informação aos trabalhadores. A Comissão de Trabalhadores assumiu no passado dia 20 novembro em comunicado o seu apoio à Greve Geral. Realizámos plenários nos dias 2 e 3 de dezembro em conjunto com a Coordenadora do Parque Industrial. Foi um momento bastante importante que contou com a presença dos Secretários Gerais da CGTP e da UGT nos quatro plenários, algo que nunca tinha acontecido anteriormente, estiveram presentes mais de 4000 trabalhadores e foi aprovada uma moção por unanimidade em todos os plenários. A mobilização é feita principalmente com esclarecimento do impacto nas nossas vidas que este pacote laboral pode originar.
Por outro lado, também não nos podemos esquecer que existem muitos trabalhadores que votaram neste Governo e que no seu programa não constava esta reforma. É muito importante esclarecer as pessoas nesse sentido porque foram enganadas e caso este pacote laboral passe as suas vidas serão seriamente afetadas. Neste sentido é preciso desfazer estas dúvidas e trazer os trabalhadores para a luta.
De que forma particular esta contrarreforma afetaria os trabalhadores que representam?
Bem, para dizer a verdade numa grande parte dos artigos. A questão da liberalização dos despedimentos, o banco de horas e a liberalização do outsourcing são questões essenciais que nos preocupam bastante.
Enquanto CT, como valorizam a unidade na ação CGTP/UGT e de várias organizações independentes nesta greve geral?
A unidade na ação entre a CGTP, a UGT e várias organizações independentes, do ponto de vista da Comissão de Trabalhadores, é um fator decisivo e essencial no sucesso da Greve Geral de 11 de dezembro.
Esta unidade amplia o impacto da greve. Quando as centrais sindicais convergem na ação, a greve deixa de ser apenas de um setor ou corrente e passa a ter um carácter mais transversal, dando-lhe maior força e legitimidade social. A ação conjunta reduz a divisão dos trabalhadores e aumenta a capacidade de pressão sobre o Governo e os patrões, encorajando a adesão à greve, inclusive por trabalhadores normalmente mais hesitantes.
Resumindo, na nossa opinião só através desta unidade e com uma grande adesão à Greve Geral é que os trabalhadores de todo o país poderão fazer cair este pacote laboral.