Entrevista

Rogério Nogueira: “Só com unidade e grande adesão à greve faremos cair este pacote laboral”

09 de dezembro 2025 - 11:30

O coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa destaca ao Esquerda.net a presença inédita dos dois líderes da CGTP e UGT nos plenários do Parque Industrial e a importância de trazer para a luta os trabalhadores que votaram neste Governo e foram enganados.

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Rogério Nogueira
Rogério Nogueira. Foto DR

Como está a vossa organização a mobilizar para a greve geral?

Estamos em fase de mobilização e de informação aos trabalhadores. A Comissão de Trabalhadores assumiu no passado dia 20 novembro em comunicado o seu apoio à Greve Geral. Realizámos plenários nos dias 2 e 3 de dezembro em conjunto com a Coordenadora do Parque Industrial. Foi um momento bastante importante que contou com a presença dos Secretários Gerais da CGTP e da UGT nos quatro plenários, algo que nunca tinha acontecido anteriormente, estiveram presentes mais de 4000 trabalhadores e foi aprovada uma moção por unanimidade em todos os plenários. A mobilização é feita principalmente com esclarecimento do impacto nas nossas vidas que este pacote laboral pode originar. 

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Por outro lado, também não nos podemos esquecer que existem muitos trabalhadores que votaram neste Governo e que no seu programa não constava esta reforma. É muito importante esclarecer as pessoas nesse sentido porque foram enganadas e caso este pacote laboral passe as suas vidas serão seriamente afetadas. Neste sentido é preciso desfazer estas dúvidas e trazer os trabalhadores para a luta.

De que forma particular esta contrarreforma afetaria os trabalhadores que representam?

Bem, para dizer a verdade numa grande parte dos artigos. A questão da liberalização dos despedimentos, o banco de horas e a liberalização do outsourcing são questões essenciais que nos preocupam bastante.

Enquanto CT, como valorizam a unidade na ação CGTP/UGT e de várias organizações independentes nesta greve geral?

A unidade na ação entre a CGTP, a UGT e várias organizações independentes, do ponto de vista da Comissão de Trabalhadores, é um fator decisivo e essencial no sucesso da Greve Geral de 11 de dezembro.  

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Esta unidade amplia o impacto da greve. Quando as centrais sindicais convergem na ação, a greve deixa de ser apenas de um setor ou corrente e passa a ter um carácter mais transversal, dando-lhe maior força e legitimidade social. A ação conjunta reduz a divisão dos trabalhadores e aumenta a capacidade de pressão sobre o Governo e os patrões, encorajando a adesão à greve, inclusive por trabalhadores normalmente mais hesitantes.

Resumindo, na nossa opinião só através desta unidade e com uma grande adesão à Greve Geral é que os trabalhadores de todo o país poderão fazer cair este pacote laboral.