Risco de pobreza caiu em Portugal...antes dos maiores cortes nas prestações sociais

26 de fevereiro 2013 - 13:40

O risco de pobreza ou exclusão social no nosso país diminui quase um ponto percentual, entre 2010 e 2011, ao contrário do que aconteceu na maioria dos países europeus. O período temporal do estudo não avalia, contudo, o impacto dos 3.700 milhões de euros em cortes sociais que varreram o país desde que a troika aterrou em Portugal.

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Desde que se iniciou o programa da troika, Portugal foi mesmo o país europeu onde os cortes nas despesas sociais foram mais pronunciados – menos 3700 milhões de euros.// Foto Paulete Matos

O risco de pobreza ou exclusão social diminuiu quase um ponto percentual entre 2010 e 2011, baixando de 25,3% para 24,4% da população, ao contrário do que aconteceu na média dos países da União Europeia, onde a taxa subiu oito décimas, para 24,2%. Os dados hoje revelados pelo Eurostat não analisam ainda o impacto da maioria dos cortes sociais constantes no memorando de entendimento com a troika, os quais tiveram lugar nos últimos meses de 2011 e 2012.

A população em risco de pobreza ou exclusão social, 2,6 milhões de pessoas, atingiu o valor mais baixo desde que o Eurostat iniciou esta série estatística, em 2004, quando o valor em Portugal se cifrava nos 27,5%.

De acordo com o organismo estatístico da União Europeia, encontra-se em situação\ao de pobreza ou risco social quem cumpra pelo menos umas das seguintes condições: receber menos de 60% do rendimento mediano do país, após transferenciais sociais; severamente privada de bens materiais, ou vive em agregados familiares com reduzida intensidade de emprego.

Os indicadores hoje revelados, contudo, ainda não nos dão conta do impacto da  fortíssima redução das despesas sociais na taxa de pobreza. Desde que se iniciou o programa da troika, Portugal foi mesmo o país europeu onde os cortes nas despesas sociais foram mais pronunciados – menos 3700 milhões de euros.

A redução abrupta das prestações sociais, num país que já se encontrava abaixo da média europeia no peso da despesa social no conjunto da riqueza do país, aconteceu no preciso momento em que a crise social se agudiza e   desemprego tomou uma dimensão até agora desconhecida no nosso país. O Governo, a quatro mãos com a troika, pretende agora cortar ainda mais 4000 milhões de euros nas despesas sociais, no âmbito da sétima revisão do programa da troika.