Na noite de domingo para segunda-feira, devido às chuvas fortes, a zona baixa de Ervidel foi inundada por um rio de lama proveniente de uma área ocupada por olival superintensivo. São 120 hectares em redor da aldeia que já motivaram protestos da população e da Junta de Freguesia.
Segundo a estrutura distrital de Beja do Bloco de Esquerda, os camalhões escorrem diretamente para os quintais e as ruas de Ervidel, em vez de seguirem um traçado paralelo ao perímetro da aldeia. Por isso, sem valas de escoamento das águas pluviais, a rega com fertilizantes e fitofármacos significa que estes acabam por se infiltrar nos solos.
“Além de avultados prejuízos que devem ser assacados aos responsáveis por este desastre ambiental, a saúde pública (doenças do foro respiratório e outras) está ameaçada pela invasão descontrolada de olival superintensivo e de outras monoculturas”, denunciou essa estrutura em comunicado de imprensa.
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Mas Ervidel não é “um caso isolado”. A proliferação de culturas intensivas e superintensivas torna os territórios mais vulneráveis face a fenómenos de erosão e desertificação dos solos, seca prolongada e alternada com enxurradas de violência inédita.
A estrutura distrital do Bloco de Esquerda aponta o dedo aos governos e partidos que, no parlamento, rejeitaram todas as propostas de ordenamento agrícola que impunham regras, como as avaliações de impacto ambiental, a carta nacional de ordenamento e instalação de culturas permanentes, o licenciamento prévio pelas Câmaras Municipais à instalação de novas plantações, e outras medidas que foram apresentadas em 2020 pelo grupo parlamentar do Bloco de Esquerda e chumbadas pela direita, extrema-direita e Partido Socialista.
A lama entrou nas casas e nos quintais dos moradores e a própria junta de freguesia apontou o dedo ao olival superintensivo. O projeto de 120 hectares foi aprovado em 2019, mas a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo recomendou às autarquias uma faixa de proteção com o mínimo de 250 metros entre as povoações e as culturas superintensivas.
Os trabalhos de limpeza arrancaram na segunda-feira e mobilizaram trabalhadores e equipamentos da câmara e da junta, mas também os bombeiros.