Repsol investigada em Espanha por abuso de posição dominante

27 de dezembro 2023 - 16:45

As estações de serviço independentes acusam a gasolineira de, tendo uma posição dominante no mercado grossista, ter oferecido descontos aos clientes ao mesmo tempo que aumentava preços a estas estrangulando-as financeiramente.

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Foto de Juanedc/Flickr.
Foto de Juanedc/Flickr.

A Comissão Nacional dos Mercados e Concorrência de Espanha anunciou esta terça-feira que foi iniciado um processo sancionatório contra a gasolineira Repsol por práticas anti-concorrência de “abuso de posição dominante” no mercado de distribuição grossista.

O grupo Repsol está presente em toda a cadeia de produção e comercialização de combustíveis através de empresas como a Repsol Comercial de Productos Petrolíferos, Repsol Directo, Repsol Customer Centric, Solred, Campsa Estaciones de Servicio.

Entre março e dezembro de 2022 terá ao mesmo tempo oferecido descontos suplementares aos clientes através de aplicações, cartões de fidelização e de pagamento ao mesmo tempo que no mercado grossista aumentava o preço pago pelas estações de serviço independentes. Em questão está o facto da Repsol ter uma posição dominante no mercado de combustível que abastece os seus concorrentes independentes, o que resultava na prática numa “exclusão” destes, limitando a concorrência na venda a retalho

A entidade reguladora da concorrência espanhola crê que pode estar em causa a violação quer da lei nacional de Defesa da Concorrência quer do Tratado de Funcionamento da União Europeia.

A empresa contrapõe argumentando que “não tem uma posição de domínio no mercado espanhol dos carburantes” e que cumpre as regras da concorrência pelo que os descontos oferecidos foram “um esforço enorme” da empresa para ajudar os clientes face à subida de preços provocada pela invasão da Ucrânia.

A Associação Nacional de Estações de Serviço Automáticas e a Associação de Comerciantes Independentes de Hidrocarbonetos não veem as práticas da Repsol da mesma forma e foram elas que apresentaram queixa. Aberto o processo, o regulador terá no máximo dois anos para chegar a conclusões.