Repressão acentua-se na Síria

11 de junho 2011 - 13:29

Exército usa artilharia e helicópteros para atacar manifestações. Há notícias de dissensões na base das forças armadas que seriam a causa das mortes de polícias denunciadas pelo governo.

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Manifestação em Damasco. Foto de syriana2011

O exército sírio lançou na sexta-feira o esperado ataque à cidade de Jizr al-Shughur, onde o governo acusa militantes de oposição de terem morto mais de cem polícias. A cidade, de cerca de 50 mil habitantes, estava quase deserta, porque a maioria da população já fugira para outras povoações e muitos procuraram refúgio na Turquia.

Mas, numa cidade próxima, uma multidão atacou uma esquadra de polícia, e o Exército respondeu com fogo de artilharia, matando pelo menos 21 pessoas. Testemunhas afirmam que pela primeira vez as forças de segurança sírias usaram helicópteros.

Outras cinco pessoas teriam sido mortas na cidade costeira de Latakia. Noutras partes da Síria, dois manifestantes foram mortos na província de Deraa, no sul, e outras quatro em Qaboun, próximo da capital Damasco, onde ocorreram manifestações.

Durante o dia, morreram pelo menos 28 pessoas.

Não há informações seguras sobre o que se passou no fim-de-semana passado, quando o governo sírio afirmou que 120 polícias foram mortos por opositores armados. Fontes da oposição afirmam que parte da guarnição militar da cidade se terá juntado aos manifestantes, e que um sangento combate se terá seguido.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, condenou a repressão do governo sírio e disse que as acções militares são "desumanas". Erdogan disse que discutiu o assunto recentemente com o presidente sírio, Bashar Al-Assad, mas adiantou que a receptividade do vizinho foi "inadequada".

Os Estados Unidos condenaram fortemente o “ultrajante uso de violência” feito pelo governo da Síria, apoiando a proposta do Conselho de Segurança das Nações Unidas que condenou a repressão e pediu que fosse interrompida.

Grupos de ajuda humanitária afirmam que mais de 1.300 pessoas – a maioria, civis desarmados - já morreram durante os protestos.