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Repórter da Al Jazeera assassinada por tropas israelitas na Cisjordânia

A palestiniano-americana Shireen Abu Akleh foi baleada na cabeça. Outro jornalista da Al Jazeera, Ali Samoudi, também foi ferido com um tiro nas costas. Ambos estavam identificados com coletes de imprensa e capacetes.
Foto de Al Jazeera.

“Num trágico assassinato premeditado que viola as leis e as normas internacionais, as forças de ocupação israelitas mataram, a sangue frio, a nossa jornalista Shireen Abu Akleh”, afirmou, em comunicado, a rede internacional da Al-Jazeera, com sede em Doha.

O produtor Ali al-Samoudi, do mesmo órgão de comunicação social, também foi “atacado ao ser atingido nas costas durante a cobertura e agora está a receber tratamento”, lê-se no comunicado divulgado. Ambos os jornalistas estavam identificados com coletes de imprensa e capacetes.

“Condenamos este crime atroz”, pelo qual “responsabilizamos o Governo israelita e as forças de ocupação”, acusou a emissora. A Al-Jazeera exorta a comunidade internacional a condenar e responsabilizar “as forças de ocupação israelitas por terem atacado e matado deliberadamente a colega Shireen Abu Akleh”.

Shireen Abu Akleh foi atingida por uma bala na cabeça esta quarta-feira enquanto cobria ataques israelitas na cidade de Jenin, no norte da Cisjordânia ocupada. A jornalista foi levada para um hospital em Jenin, onde acabou por falecer. Outro jornalista da Al Jazeera, Ali al-Samoudi, também foi ferido com um tiro nas costas. Citado pela Al-Jazeera, Ali al-Samoudi deixou o seu relato: “Nós íamos filmar a operação do exército israelita e de repente eles atiraram em nós sem nos pedir para sair ou parar de filmar (…) A primeira bala atingiu-me e a segunda bala atingiu Shireen… não havia resistência militar palestiniana no local”.

Shatha Hanaysha, uma jornalista local, confirmou esta versão: “Éramos quatro jornalistas, todos com coletes e capacetes”.

“O exército de ocupação [israelita] não parou de atirar mesmo depois de ela entrar em colapso. Não consegui nem estender o braço para puxá-la por causa dos tiros. O exército foi inflexível em atirar para matar”, continuou.

Abu Akleh foi uma das primeiras correspondentes de campo da Al Jazeera, ingressando na emissora em 1997. A deputada palestiniana Khalida Jarrar disse que Abu Akleh era a voz dos palestinianos e que foi morta pela “monstruosidade do colonialismo e ocupação israelitas”.

O exército israelita alegou ter ripostado a um intenso ataque durante as operações em Jenin. E avançou estar “a investigar a ocorrência e a analisar a possibilidade de os jornalistas terem sido atingidos por atiradores palestinianos”.

Federação Internacional de Jornalistas vai entregar queixa ao Tribunal Penal Internacional

A Federação Internacional dos Jornalistas condenou mais este ataque mortífero contra jornalistas palestinianos e anunciou que irá acrescentar este caso ao processo que entregou no Tribunal Penal Internacional acerca dos ataques sistemáticos contra os jornalistas da Palestina.

"Uma vez mais, jornalistas com coletes de imprensa, claramente identificados, foram alvo dos snipers israelitas. Eles não estavam junto de manifestantes, não eram uma ameaça - foram alvejados para impedir que deem testemunho e digam a verdade sobre a ação israelita em Jenin", afirmou o secretário-geral da Federação.

"Se exigimos justiça para os ataques a Rússia contra jornalistas ucranianos, tambémdevemos exigir justiça e o fim dos ataques e assassinatos de jornalistas palestinianos por parte de Israel", acrescentou Anthony Bellanger.

Para o Sindicato de Jornalistas da Palestina, este crime foi "deliberado e planeado para a assassinar", uma vez que segundo. otestemunho de jornalistas que a acompanhavam, "eles eram o único grupo naquela rua. Não havia manifestantes nem troca de tiros".

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