Rendas de casa voltaram a disparar, novos contratos em queda

29 de março 2023 - 12:38

Os dados do quarto trimestre de 2022 mostram um aumento de 10,6% no valor da renda mediana dos novos contratos face a 2021. Em Lisboa, Porto, Oeiras ou Cascais o aumento ultrapassou os 20%. Sábado há manifestações em defesa do direito à habitação.

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Foto Susanne Nilsson/Flickr

As estatísticas das rendas da habitação divulgadas esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística mostram que o abrandamento da subida do preço das rendas nos municípios com mais de 100 mil habitantes não resistiu muito tempo. O último trimestre de 2022 viu o valor da renda mediana - valor que separa em duas partes iguais o conjunto ordenado das rendas por metro quadrado, assim eliminando os valores extremos - disparar para os 6,91 euros por metro quadrado no conjunto dos 24 municípios analisados.

Na cidade de Lisboa, a renda mediana subiu 22,4% no último ano, para os 14,13€/m2. Cascais (13,66 €/m2 e +21,0% de aumento), Oeiras (12,65 €/m2 e +23,9%) e Porto (10,64 €/m2 e +16,3%) são os outros municípios com preços mais elevados nos novos contratos de arrendamento.

Também se destacaram por apresentarem, simultaneamente, taxas de variação homóloga da renda mediana por m2 e do número de novos contratos de arrendamento superiores às do país, os municípios de Cascais (+21,0% e - 1,9%), Seixal (+18,1% e +2,5%), Setúbal (+15,0% e +7,1%), Sintra (+12,4% e -2,0%) e Almada (+10,7% e -3,0%) – da Área Metropolitana de Lisboa –, Maia (+10,8% e -2,0%) – da Área Metropolitana do Porto –, Guimarães (+15,1% e +4,7%) e Funchal (+12,8% e +19,8%). Santa Maria da Feira e Gondomar são os únicos municípios com mais de 100 mil habitantes com rendas medianas inferiores à nacional com 5,08 €/m2 e 6,62 €/m2, respetivamente.

O INE acrescenta que face ao 4º trimestre de 2021, a renda mediana aumentou em todas as sub-regiões NUTS III. As rendas mais elevadas registaram-se na Área Metropolitana de Lisboa (10,38 €/m2), Algarve (8,06 €/m2), Área Metropolitana do Porto (7,62 €/m2) e Região Autónoma da Madeira (7,54 €/m2), tendo estas sub-regiões apresentado também crescimentos homólogos superiores ao do país. No extremo oposto estão as Terras de Trás-os-Montes (2,69€/m2), que apesar disso registou a subida mais elevada face ao trimestre homólogo (+26,9%), o Alto Alentejo (3,43€/m2), Douro (3,47€/m2) e Tâmega e Sousa (3,57€/m2).

Entre outubro e dezembro de 2022 celebraram-se 22.628 novos contratos de arrendamento no país, uma queda de 3,3% face aos 23.394 contratos celebrados no mesmo trimestre de 2021. A queda é ainda mais acentuada (-6,5%) se compararmos com o trimestre anterior de 2022. As áreas metropolitanas de Lisboa e Porto continuam a concentrar cerca de metade do total de novos contratos.

Manifestações "Casa para Viver" este sábado em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Braga e Viseu

Face à insuficiência da resposta do Governo, que se limita a apresentar pacotes com benefícios fiscais e incentivos que mantêm os altos preços praticados, recusando-se a fixar tetos máximos para os preços das rendas, a insatisfação alastra por todo o país e culminará no sábado, dia 1 de abril, com as manifestações "Casa para Viver", promovidas por coletivos e movimentos em luta pelo direito à habitação.

As manifestações têm início às 15h em Lisboa (Alameda), Porto (Praça da Batalha), Coimbra (Praça 8 de Maio), Viseu (Rossio), Aveiro (Praça Joaquim de Melo Freitas) e Braga (Coreto da Avenida Central)