Reino Unido: Prémios Nobel denunciam limites à imigração

08 de outubro 2010 - 0:44

Advertem que a posição do Reino Unido como "centro de excelência académica" pode ser posta em causa e que a nova política migratória do governo pode prejudicar a capacidade de contratar jovens talentos.

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O holandês de origem russa André Geim e o russo-britânico Konstantin Novoselov

O plano do governo de David Cameron para limitar o número de imigrantes ameaça a posição do Reino Unido como "centro de excelência académica", denunciaram nesta quinta-feira oito cientistas vencedores do Prémio Nobel que nasceram ou moram no país, numa carta publicada na imprensa britânica.

Entre os signatários estão os dois Prémios Nobel de Física deste ano, o holandês de origem russa André Geim e o russo-britânico Konstantin Novoselov, que inventaram o grafeno, material que promete revolucionar a electrónica. Eles advertem que a nova política migratória do governo "pode danificar a nossa capacidade de contratar os jovens talentos mais brilhantes, assim como cientistas distintos para as nossas universidades e indústrias".

Os Prémios Nobel fazem um apelo às autoridades para que seja introduzida uma cláusula especial na lei para criar uma excepção para os cientistas, semelhante à que já existe para atletas.

"O governo considerou adequado introduzir uma excepção à regra para os jogadores de futebol da Premier League. É um triste reflexo das nossas prioridades como Nação se não podemos permitir o mesmo reconhecimento para cientistas e engenheiros de elite", destacam os cientstas.

O limite de 24.100 vistos de trabalho para imigrantes de fora da União Europeia foi introduzido pelo gabinete de coligação em Junho, e corresponde a um compromisso eleitoral dos conservadores. Dura até Abril de 2011, quando entrará em vigor um tecto definitivo.

Konstantin Novoselov, professor de física na Universidade de Manchester, já advertira que o país arrisca-se a perder importantes cientistas se o governo cortar fundo para a investigação científica, no o quadro das medidas de austeridade. “Sem dinheiro não vamos conseguir atrair bons cientistas”, disse, acrescentando que o resultado será que bons cientistas vão para fora do país, especialmente os jovens”.