A manifestação de solidariedade para com o povo egípcio e tunisino, realizada na passada segunda-feira, foi duramente reprimida pelo governo de Teerão. A polícia iraniana carregou sobre os manifestantes utilizando gás lacrimogéneo, bastões e balas reais. Dos confrontos resultaram dois mortos e vários feridos e ainda há indicação de centenas de detenções.
Os dois líderes da oposição que convocaram a manifestação foram isolados, ainda antes da sua realização, e foi-lhes negado qualquer meio de contacto. Apesar desta tentativa de suster os protestos, milhares de manifestantes invadiram as ruas de Teerão. A manifestação de solidariedade rapidamente se transformou num momento de contestação ao governo de Teerão, o que motivou os confrontos. Esta terá sido a primeira manifestação no país contra o presidente Ahmadinejad em mais de um ano, desde as manifestações massivas que se seguiram à sua reeleição.
“Mousavi e Karroubi devem ser enforcados”
Duzentos e vinte e três deputados iranianos assinaram uma carta que exige a execução dos líderes da oposição responsáveis pela convocação da manifestação de segunda-feira. É pedida a “mais severa punição” para Hossein Mousavi, ex-primeiro-ministro que foi opositor a Mahmud Ahmadinejad nas presidenciais de 2009, e Karroubi, ex-presidente do Parlamento que também foi candidato presidencial em 2009, a quem os deputados conservadores apelidam de “corruptos na terra”.
Confrontos marcam cerimónia fúnebre
Esta quarta-feira, durante a cerimónia fúnebre do estudante Sanee Zhaleh, morto a tiro na passada segunda-feira durante a manifestação, um grupo de apoiantes do regime iraniano terá entrado em confronto com activistas da oposição.