"Isto é um mecanismo de engenharia financeira", afirmou Maria do Rosário Gama à Rádio Observador em reação ao que o Governo anunciara horas antes aos pensionistas. Para a presidente da APRe, o pagamento extraordinário em outubro de meia pensão a mais "corresponde a um aumento de 3,56%, mais ou menos, e é considerado pelo Governo um adiantamento em relação àquilo que nos é devido a partir de janeiro".
"A partir de janeiro, de acordo com a atual lei que determina o valor das pensões, teremos direito a um aumento idêntico ao da inflação com mais uma percentagem do PIB. Se o primeiro-ministro considera que este aumento extraordinário só em outubro é um adiantamento, isso significa que a partir de janeiro em vez do aumento das pensões ser de 8% vai ser de 4%, ou seja metade", explicou a dirigente da associação, concluindo que "isto corresponde a um corte nas pensões".
"Se o aumento for de 4% e não de 8%, isso corresponde a um corte para os anos seguintes, porque em 2024 em vez da base do aumento ser o valor que teria sido conseguido com os 8% será o que for conseguido com os 4%. Teremos sempre menos meia pensão daqui por diante", prosseguiu Maria do Rosário Gama, prometendo que os reformados irão procurar travar este corte no aumento que a lei prevê. Para começar, "iremos reclamar junto dos partidos, do Provedor de Justiça e do Presidente da República", concluiu.