Após o anúncio de Papandreou relativamente à realização de um referendo sobre o segundo pacote de ajuda financeira e à apresentação de um voto de confiança, a ser discutido ainda esta semana, vários elementos do partido socialista PASOK criticaram a opção do primeiro-ministro grego.
A decisão de Papandreou, que não foi previamente discutida com os seus congéneres europeus e nem com os seus ministros, levou Milena Apostolaki, deputada do PASOK e ex-ministra, a apresentar a sua demissão, deixando o partido do governo com uma maioria parlamentar de apenas dois deputados.
Outra deputada do PASOK, Eva Kaili, também ameaça desvincular-se da bancada socialista, realçando que “um referendo efectivamente cancela o acordo de 26 de Outubro e pode levar o país à falência”.
Vários deputados do PASOK reivindicam ainda um governo de unidade nacional e a renúncia do primeiro-ministro.
Proposta de referendo é forma de "chantagem"
Vários colonistas e membros da oposição defendem que Papandreou, responsável pela implementação das medidas de austeridade, anunciou a realização de um referendo para chantagear os gregos.
Esta terá sido a forma escolhida pelo primeiro-ministro grego para branquear as suas responsabilidades perante as consequências decorrentes da aplicação (ou não) do novo pacote de ajuda financeira.
Certo é que esta cartada de Papandreou é prova da pressão a que o primeiro-ministro tem sido sujeito perante a contestação dos gregos que não se resignam perante o ataque constante contra os seus direitos.
Líderes europeus receiam referendo
Jean-Claude Trichet, ex-presidente do Banco Central Europeu, já veio, entretanto, expressar a sua preocupação face à possibilidade de o povo grego votar contra o novo pacote de ajuda financeira, o que poderá levar a Grécia a “enfrentar a falência”.
Durante esta terça-feira, Papandreou esteve em contacto com vários responsáveis europeus, nomeadamente com os presidentes da Comissão Europeia e da União Europeia, e irá reunir-se esta quarta-feira em Cannes, à margem da reunião do G20, com Sarkozy e a chanceler alemã, Angela Merkel.
Bolsas mundiais afundam
Perante o anúncio do primeiro-ministro grego, registou-se uma queda em várias as bolsas a nível mundial, sendo que os índices norte-americanos não foram excepção.
O Dow Jones caiu 2,48% para 1.657,96 pontos, o Nasdaq recuou 2,89% para 2.606,96 pontos e os S&P500 cedeu 2,79% para 1.218,28 pontos.
As piores quedas foram, contudo, registadas na Europa. A Bolsa de Valores de Paris mergulhou 5,38%, Frankfurt caiu 5,0% e Londres fechou em queda de 2,21%.
O principal índice português, o PSI 20, perdeu 3,68% para 5.654,27 pontos, o que representa um emagrecimento de 1,65 mil milhões de euros nas cotadas nacionais.
Grécia: referendo gera crise política e queda nas bolsas mundiais
01 de novembro 2011 - 22:43
Realização de um referendo sobre o segundo pacote de ajuda financeira suscita fortes criticas da oposição e de membros do partido do governo. Líderes europeus receiam falência grega e risco de contágio leva a afundamento de várias bolsas mundiais.
PARTILHAR
Vários colonistas e membros da oposição grega defendem que Papandreou, responsável pelas implementação das medidas de austeridade que tanto têm penalizado o povo grego, anunciou a realização de um referendo como forma de chantagem.