“A somar à razia entre os trabalhadores, junta-se agora uma razia na antena”, diz o Conselho de Redação da TSF, citado pelo Público. A conclusão segue-se à suspensão, por indicação da administração, dos programas em que participam colaboradores externos, abrangendo “todos os espaços de opinião e análise política diária nas manhãs”, bem como os programas Café Duplo, Não Alinhados e Bloco Central. A redação da TSF diz que se trata de uma decisão "com contornos surreais", pois veio "retirar a esmagadora maioria das mais valias da antena substituindo-as por nada, não se sabe durante quanto tempo”. Os jornalistas e técnicos dizem-se preocupados e indignados com o que chamam de "processo de autodestruição da rádio que está a ser levado a cabo pela administração".
Segundo o Conselho de Redação da TSF, a decisão foi justificada com “a entrada de uma nova direção" na TSF para “breve", em substituição da atual direção demissionária desde o anúncio de dezenas de despedimentos na rádio. Os jornalistas lembram que “nunca a TSF esvaziou a programação antes da entrada de uma nova direção e muito menos por decisão imposta pela administração, no caso, a uma direção demissionária”. E dizem que a decisão “choca frontalmente com todos os princípios pelos quais um órgão de comunicação social deve reger-se numa sociedade democrática”, continua.
“As decisões editoriais - como sucedeu sempre na TSF - são responsabilidade da direção com o respectivo pelouro. Não é admissível uma ingerência da administração que, tal como esta, coloca em causa a liberdade de ação de uma direção que, embora demissionária desde o dia 12 de Dezembro, não fica com as suas capacidades editoriais eliminadas”, prossegue a ata do Conselho de Redação.
Lembram que também a direção demissionária, liderada por Rosália Amorim, discorda da decisão da administração “primeiro por uma questão de princípio e liberdade e, segundo, pelo contexto editorial de actualidade política e económica que o país vive”. Face ao "assustador empobrecimento da antena", a questão que se levanta para a redação da TSF é se a administração do Global Media Group está a aproveitar o período de transição entre direções para "pretender assumir o controlo editorial da TSF”. E dizem que "nada garante que, por esta forma ou outra, a ingerência não continue no futuro”.
"Estamos já a atravessar o período mais crítico da história da TSF. Se dúvidas houvesse sobre a ameaça à extinção do projecto editorial de 35 anos, depois deste acto sobre a programação não há margem para qualquer incerteza”, conclui a ata do Conselho de Redação da TSF.