Recibos verdes: erro nos escalões da Segurança Social mantém-se há 6 meses

21 de maio 2012 - 19:22

O movimento Precários Inflexíveis denuncia que o erro nos escalões da Segurança Social mantém-se, desde há 6 meses, apesar das promessas de correção feitas pelo Ministro Mota Soares. Na maior parte dos casos, os trabalhadores a recibos verdes pagaram já 372€ a mais.

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Segundo o movimento, as denúncias que lhe chegam dão conta de “uma total incapacidade dos serviços para a resolução do problema”, uma vez que aquelas pessoas já realizaram diversas reclamações, há vários meses. Foto de Paulete Matos.

Foi no final do ano passado, aquando da aplicação das alterações previstas no Código Contributivo, que surgiu a primeira denúncia de um erro massivo protagonizado pelos serviços da Segurança Social, responsabilidade do Ministério Pedro Mota Soares, ao incluir muitos milhares de trabalhadoras e trabalhadores a recibos verdes em escalões de contribuição superiores aos que decorrem da aplicação da lei. Segundo o movimento Precários Inflexíveis, passados 6 meses, o erro mantém-se, apesar das promessas de correção feitas pelo Ministro da Solidariedade e da Segurança Social.



Segundo o movimento de trabalhadores precários, foram exigidas, desde Dezembro de 2011, 6 prestações mensais com valores superiores ao devido. Na situação mais comum, este erro implica o pagamento de mais 372€ até à data, dizem os precários.



O movimento exige que “Pedro Mota Soares assuma as suas responsabilidades e proceda para a imediata resolução do problema, com a colocação de todas as pessoas afetadas nos escalões de contribuição corretos e a pronta compensação dos montantes em excesso exigidos indevidamente a milhares de trabalhadores precários”, lê-se no comunicado enviado às redações.



Em Dezembro passado, a deputada do Bloco Mariana Aiveca questionou diretamente o Ministro da Solidariedade e da Segurança Social, no parlamento, sobre o enquadramento de trabalhadores a recibo verde em escalões de contribuição superiores aos previstos na lei.

O Bloco reclamou como "urgente” a necessidade de o Ministério dar instruções aos serviços da Segurança Social para que fossem reenviadas as comunicações aos trabalhadores afetados pelo erro, com a informação certa, anulando-se a informação anteriormente endereçada.



As promessas do Ministro continuam por cumprir



Apesar da promessa de resolução do erro por parte do Ministro Pedro Mota Soares, feita há 3 meses na Assembleia da República, o movimento Precários Inflexíveis continua a receber relatos de trabalhadores independentes que, “tendo já reclamado numerosas vezes”, ainda não foram inseridos nos escalões de contribuição previstos na lei.



O prazo de pagamento de mais uma contribuição mensal terminou na sexta-feira passada. “Não é admissível que o Ministro Pedro Mota Soares permita que se mantenha o erro”, reclamam os Precários Inflexíveis.



Numa primeira fase, o Ministro negou ter responsabilidade sobre o assunto e lançou as culpas para os serviços da Segurança Social. Mais tarde, o Secretário de Estado Marco António Costa afirmou que “apenas” 8 por cento dos trabalhadores independentes - cerca de 40 mil - haviam sido afetados pelo erro e que o erro seria solucionado ainda em Fevereiro de 2012.