Realizadores e produtores pedem "plano de emergência" para o cinema português

27 de outubro 2011 - 16:31

O anúncio do corte de 30% nas verbas do Instituto do Cinema, o actual "modelo de financiamento esgotado" e a subida do IVA de 6% para 23%, anunciam "uma catástrofe de terríveis consequências, com a total paralisação do sector", diz o texto subscrito por Manoel de Oliveira e outros 18 realizadores e produtores portugueses.

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Realizadores e produtores estão de acordo: se nada for feito, o cinema português não vai sobreviver à crise. Foto m4tik/Flickr

O texto dirige-se a Pedro Passos Coelho, que tem a tutela da Cultura, e a lista dos 19 subscritores é encabeçada por Manoel de Oliveira. Os realizadores e produtores queixam-se do esgotamento do modelo de financiamento assente numa taxa sobre a publicidade nas televisões, uma "receita que ao longo dos anos tem vindo a decair" e reclamam a necessidade duma nova Lei do Cinema, lembrando que já existia consenso sobre uma proposta concreta na passada legislatura, antes do processo ter sido interrompido pela demissão do governo de José Sócrates.



Quanto ao novo governo, "ao fim de três meses continua sem nada fazer em relação ao sector do cinema a não ser anunciar este corte brutal de 30% nas receitas do instituto e aumentar a taxa de IVA dos bilhetes de cinema de 6% para 23%", afirmam os subscritores, que se dizem "conscientes de que os sacrifícios devem ser partilhados por todos", uma vez que "há mais de dez anos trabalhamos com cada vez menos recursos".



Até a Lei de Cinema ver a luz do dia, estes realizadores e produtores defendem um plano de emergência para o sector, "um plano que permita salvá-lo de uma morte mais que certa". Uma das propostas é da consignação do IVA a 6% nos bilhetes ao orçamento do Instituto do Cinema "até ao montante equivalente ao corte orçamental que o Governo agora anuncia (4,4 milhões de euros)". Uma medida que consideram necessária para "evitar a paralisia total do sector e salvar da bancarrota o Instituto do Cinema e do Audiovisual".



Os subscritores deste texto publicado esta quinta-feira no jornal Público querem garantias formais de Passos Coelho de que a nova Lei de Cinema irá respeitar o consenso existente e entrar em vigor no prazo de seis meses.  



Para além de Manoel de Oliveira, também subscrevem este texto Catarina Mourão, João Botelho, João Canijo, João Nicolau, João Pedro Rodrigues, João Salaviza, Jorge Silva Melo, Margarida Cardoso, Miguel Gomes, Pedro Costa, Sandro Aguilar. Do lado dos produtores, subscrevem este apelo Alexandre Oliveira (Ar de Filmes), Joana Ferreira (CRIM), João Figueiras (Black Maria), João Matos (TerraTreme), Luís Urbano (O Som e a Fúria), Maria João Mayer (Filmes do Tejo) e Pedro Borges (Midas Filmes).