A coordenadora do Bloco visitou esta segunda-feira, 30 de maio, a Escola Básica e Secundária Michel Giacometti, da Quinta do Conde, concelho de Sesimbra, distrito de Setúbal.
“Estamos no final de um ano letivo (…) que começou com 30.000 alunos sem professores a uma ou mais disciplinas. Queremos que o próximo ano letivo comece com professores a todas as disciplinas, para todos os alunos”, disse Catarina Martins no final da visita à escola.
E apontou que para ser possível o novo ano letivo começar nessas condições, “é preciso tomar decisões já. E vincular já os professores que estão há mais de dois anos no sistema, mas com contratos precários. Se a escola precisa desses professores, deve vinculá-los já”, propôs Catarina Martins, defendendo que é igualmente necessário assegurar apoios aos professores deslocados, que muitas vezes não ganham o suficiente nem para pagar as despesas de habitação.
“As escolas são o futuro do país e não nos podemos resignar a que metade das crianças fiquem sem professores, a uma ou mais disciplinas, nos próximos anos. É contra essa degradação da escola que é preciso tomar decisões”, frisou.
A coordenadora do Bloco de Esquerda sublinhou que “se nada for feito, chegaremos a 2025 com metade dos alunos sem professor pelo menos em alguma das disciplinas” e criticou: “E a verdade é que não se conhece nenhum projeto do Ministério da Educação para garantir que todos os alunos têm professores”.
“Ano após ano, porque as condições da carreira se têm vindo a deteriorar, há cada vez mais professores que desistem do ensino. E há cada vez mais concursos que ficam vazios”, sublinhou e lembrou que o Bloco de Esquerda propôs no Orçamento do Estado medidas para fixar professores.
“O Governo não quis, mas nós insistimos”, afirmou, salientando que o Bloco insistiu agora com um projeto lei sobre essa matéria, “porque vai começar um novo ano letivo e é preciso segurar os professores”.
Ler projeto de lei proposto pelo Bloco de Esquerda
“Propomos duas medidas muito urgentes, a primeira que haja uma vinculação extraordinária dos professores que têm tido contratos precários, mas que já estão no sistema há mais de dois anos, ou seja já sabemos que precisamos deles. E, portanto, vinculá-los para que não haja mais gente a desistir do ensino. Em segundo lugar, assumir que é preciso pagar despesas de deslocação a professores deslocados”.
“Não podemos pedir às pessoas para se deslocarem para os sítios onde há falta de professores e depois na verdade não têm nenhum apoio às deslocações e portanto não podem pagar as despesas da deslocação, da renda, para poderem dar aulas”, salientou Catarina Martins.
Degradação das instalações escolares
Catarina Martins e o diretor da escola, Eduardo Cruz, falaram também da degradação das instalações escolares. “Nesta escola não temos só o problema da falta de professores. Temos [também] um problema extremamente grave em termos de instalações, porque estamos a trabalhar aqui com 1.200 alunos, numa escola que foi preparada para 800 alunos, e que tem pavilhões que vieram da Cidade Universitária [de Lisboa]. São pavilhões de madeira, muito degradados, mais velhos do que os nossos pavilhões de alvenaria que foram inaugurados em 1986”, disse Eduardo Cruz.
“Aqui juntam-se dois fatores bastante importantes : por um lado, a falta de espaço e a degradação dos espaços que existem e a falta de instalações específicas para muitas disciplinas; por outro lado, a falta de professores”, frisou.
Eduardo Cruz disse que chegou a estar prevista a construção de uma nova escola secundária na Quinta do Conde para 2010, que permitia dar resposta a todos os alunos do ensino secundário daquela freguesia do concelho de Sesimbra. Porém, doze anos depois, cerca de 1.000 alunos do ensino secundário residentes na Quinta do Conde só conseguem inscrever-se em escolas de outros concelhos, designadamente em Almada e Setúbal, pelo que "perdem cerca de duas horas por dia em transportes, que poderiam ser tempo de estudo".