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Queda recorde do PIB na União Europeia

A média da descida do PIB na União Europeia foi de 14,4%. Espanha foi o país que sofreu consequências negativas mais fortes da crise provocada pela pandemia. Portugal ocupa o quarto lugar nesta lista com 16,5%.
Crise económica na sequência da pandemia. Ilustração de Pixabay.
Crise económica na sequência da pandemia. Ilustração de Pixabay.

Os confinamentos para deter o avanço da pandemia resultaram na maior queda do Produto Interno Bruto de sempre na União Europeia. Segundo as estimativas preliminares do Eurostat, no segundo trimestre deste ano, a média desta queda foi de 15% nos 19 países da zona euro. No conjunto da União Europeia foi de 14,4%.

Espanha ocupa o primeiro lugar de entre os países que viram a produção mais cair. A quarta maior economia da União Europeia sofreu uma queda de 22,1%.

Os outros “grandes” também foram fortemente afetados. França vem logo a seguir com uma queda de 19% e Itália depois com 17,3%.

Portugal não escapou à tendência com uma queda de 16,5%, a maior de sempre de que há registo, o que coloca o país em quarto lugar dos que tiveram maiores descidas. Os números portugueses constam da estimativa rápida das Contas Nacionais Trimestrais, reveladas esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.

Segundo o INE, “este resultado é explicado em larga medida pelo contributo negativo da procura interna para a variação homóloga do PIB, que foi consideravelmente mais negativo que o observado no trimestre anterior, refletindo a expressiva contração do consumo privado e do Investimento. O contributo negativo da procura externa líquida também se acentuou no 2.º trimestre, traduzindo a diminuição mais significativa das Exportações de Bens e Serviços que a observada nas Importações de Bens e Serviços devido em grande medida à quase interrupção do turismo de não residentes”.

Sendo estatísticas preliminares, os números europeus serão revisto em meados de agosto. Mas, feitas as correções necessárias, não deixarão de ser “de longe, os declínios mais acentuados observados desde o início das séries cronológicas em 1995" diz o Eurostat.

Já o FMI tinha apresentado, para o conjunto do ano de 2020, previsões negativas de dimensão inédita. A economia mundial pode cair em 4,9%. Os EUA caem provavelmente 8%, a zona euro 10,2% e o Japão 5,8%.

Sobre as previsões de queda para Portugal, no conjunto deste ano, a Comissão Europeia prevê uma queda de 6,8 e o governo 6,9%.

Com as perspetivas mais otimistas para o futuro próximo a serem colocadas de lado, a retoma rápida, ou “ressalto”, parece uma miragem. Ao Euronews, Zsolt Darvas, analista económico no Instituto Bruegel, declarou que “as medidas de confinamento foram bastante reduzidas a partir de maio, o que levará a alguma recuperação já no próximo trimestre, mas receio que a recuperação em geral seja demorada, num processo longo e doloroso. Alguns setores irão sofrer bastante por muitos, muitos anos". E, para além das vicissitudes próprias do processo de recuperação económica, a possibilidade de novas vagas acrescenta mais incerteza no horizonte económico global.

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