Pureza reafirma oposição ao desvio de recursos para fins militares

26 de março 2026 - 19:25

O coordenador do Bloco de Esquerda diz que o excedente orçamental registado no ano passado devia ter sido investido no reforço do SNS e no parque público de habitação e que as previsões do Governo são agora “reféns” do impacto das tempestades e do aumento do custo de vida por causa da guerra.

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José Manuel Pureza.
José Manuel Pureza. Foto de Rafael Medeiros

José Manuel Pureza esteve esta quinta-feira em Matosinhos para contactar com estudantes na 17ª edição da Qualifica – Feira da Educação, Formação e Juventude, a decorrer até sábado na Exponor. À margem da visita, falou com os jornalistas sobre os números divulgados pelo INE sobre o saldo orçamental de 2025, que terminou com um excedente de 0,7%.

“Todos os números que estamos agora a ter são reféns de uma situação que é extremamente volátil, porque evidentemente a guerra, a subida do custo de vida, os desequilíbrios que isso provoca, estão ainda numa fase em que o pior virá”, afirmou, defendendo que “o impacto das tempestades e a necessidade de recuperar do impacto da guerra é tremendo sobre uma economia frágil como a portuguesa”.

O coordenador do Bloco de Esquerda contestou também o “dogma” da vantagem de manter excedentes orçamentais, tanto por parte de governos da direita como do PS. “Isso fragilizou o país, fragilizou a economia e os resultados são agora potenciados por estas circunstâncias anormais que temos”, acrescentou, argumentando que as verbas excedentárias fazem falta para reforçar serviços públicos essenciais “como o Serviço Nacional de Saúde ou como a oferta de parque público de habitação”.

Questionado pelos jornalistas sobre o cumprimento da meta de 2% em despesas militares, José Manuel Pureza insistiu que “não há nenhuma razão para que um país que tem tanta dificuldade para canalizar recursos em quantidade adequada para questões essenciais como a saúde, habitação, ensino e formação e coesão social, desvie esses recursos para uma utilização militar e que em vez de contribuir para a paz vai apenas abrir caminho para aventuras de natureza militar”.

No ano passado, o investimento do Estado português no setor da Defesa aumentou 31,67%, num contexto em que “os países europeus, membros da NATO, têm sido confrontados com uma verdadeira chantagem, com o sentido de aumentar as suas despesas em defesa, as suas despesas militares, primeiro para 2%, depois para 5%”, recordou Pureza, concluindo que  alertando que o impacto da guerra dos EUA e Israel ao Irão “será tremendo sobre essa chantagem”. 

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