José Manuel Pureza levou à residência oficial do primeiro-ministro a carta aberta lançada pelo Bloco e subscrita online por 8,500 pessoas nos dias seguintes ao ataque de Trump e Netanyahu ao Irão.
Passado um mês do início desta agressão militar, o coordenador do Bloco de Esquerda diz que lhe “custa a crer que depois de ser tão claro que esta guerra é uma guerra contra o direito internacional, que cada bomba que Donald Trump e Netanyahu lançam sobre o Irão é uma subida em flecha do preço dos bens essenciais em Portugal, que o Governo continue perante tudo isto a ter uma posição de grande cumplicidade”. E a notícia da chegada esta segunda-feira à base das Lajes dos aviões não tripulados MQ-9 Reaper, também conhecidos por “drones assassinos”, só “agrava essa cumplicidade do governo português”.
Guerra
Espanha fecha espaço aéreo aos voos da guerra, Portugal autoriza “drones assassinos” nas Lajes
“O que viemos aqui trazer ao Governo foi precisamente uma carta aberta subscrita por cerca de 8.500 pessoas que dão voz a este sentimento de indignação” e de exigência ao governo para que proíba “realmente e não retoricamente” a utilização da Base das Lajes para apoiar a agressão ao Irão.
“Esta carta não faz mais, afinal de contas, do que exigir a mesma atitude que os nossos vizinhos em Espanha assumiram hoje mesmo com a proibição da utilização do espaço aéreo espanhol”, prosseguiu Pureza. Questionado pelos jornalistas sobre o silêncio do Governo em torno da chegada dos “drones assassinos” à ilha Terceira, Pureza diz que esta é a prática habitual do executivo de Luís Montenegro: “nunca confirma, nunca desmente, mas a verdade é que os factos dão razão a quem olha para isto com enorme preocupação e com enorme revolta”.
O coordenador bloquista destacou ainda “o agravamento brutal do custo de vida que a guerra alimenta através da subida do preço dos combustíveis e, por arrasto, a subida em flecha do preço de todos os bens essenciais, com um agravamento muito preocupante das condições de vida de quem já tem um rendimento muito baixo e vive vidas de aflição”. Por essa razão, José Manuel Pureza entende que “há muita gente no nosso país que olha para esta guerra com uma enorme indignação, uma enorme preocupação e que se sente lesada enquanto tal na sua carteira do dia a dia”.