PSD propõe privatizações e Mário Soares apresenta compromisso

21 de abril 2011 - 17:16

Mário Soares foi apresentar o manifesto "Compromisso para Portugal" a Passos Coelho que defende em coro com Eduardo Catroga "um quadro de privatizações alargado". Entretanto, Pinto Balsemão, fundador do PSD, propõe acordo de regime multipartidário em áreas "fundamentais" para o país.

PARTILHAR
Tal como Eduardo Catroga, ainda esta quinta-feira, Passos Coelho defendeu que o programa de ajuda externa a Portugal deve incluir "um quadro de privatizações alargado" como forma de obter receitas e, ao mesmo tempo, retirar o Estado da economia. Foto Mário Cruz/LUSA.

Numa carta endereçada ao socialista Pedro Silva Pereira, Ministro da Presidência, o antigo ministro das Finanças Eduardo Catroga apresenta várias sugestões que o PSD considera importantes para o programa de ajuda externa na área da consolidação orçamental, sistema bancário e financiamento da economia e reformas estruturais tais como as privatizações. De acordo com o PSD, o programa de privatizações do Governo “deve ser ampliado em todos os segmentos do sector empresarial do Estado”.

Segundo Catroga, os sociais-democratas acham que se deve apostar em reduzir a despesa do Estado e não em aumentar a receita, considerando que eventuais aumentos desta, provenientes da reestruturação do IVA e da dos benefícios fiscais, só devem ser feitos caso a taxa social única seja reduzida.

Ainda esta quinta-feira, Passos Coelho defendeu que o programa de ajuda externa a Portugal deve incluir "um quadro de privatizações alargado" como forma de obter receitas e, ao mesmo tempo, retirar o Estado da economia. "Nós apontamos para um quadro de privatizações alargado, não apenas devido à necessidade de ir buscar dinheiro, mas também como uma forma de o Estado não se envolver com aquilo que não lhe diz respeito", declarou o líder do PSD aos jornalistas.

O PSD vai apresentando o seu programa neo-liberal enquanto cresce a pressão para um pacto de regime de bloco central.

Segundo a imprensa, Paulo Portas diz que só aceitará participar num governo de coligação com o PS se o PSD estiver incluído.

Já o ex-Presidente da República e militante histórico do PS, Mário Soares, foi apresentar o Manifesto dos 47 ao líder social-democrata, esta segunda-feira.

A sede do PSD recebeu então esta semana uma visita invulgar, divulgou o jornal Sol. Mário Soares reuniu com o líder dos sociais-democratas e o motivo terá sido o manifesto "um Compromisso para Portugal", no qual um conjunto de personalidades sugere um consenso alargado entre PS, PSD e CDS-PP, com o patrocínio activo do Presidente da República Cavaco Silva.

Segundo o Sol, Mário Soares ter-se-á feito acompanhar por Leonor Beleza, militante do PSD e conselheira de Estado, e Soares dos Santos, líder do grupo Jerónimo Martins.

Já o fundador do PSD e presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, defendeu esta quinta-feira a criação de um acordo de regime multipartidário em áreas "fundamentais" para o país como a Justiça, Educação ou Saúde.

Enumerando ainda áreas como o aparelho do Estado ou a reforma da Constituição, "pelo menos quanto à lei eleitoral", Pinto Balsemão defende que é "possível e indispensável" que haja, "entre o maior número possível de partidos", um acordo para um prazo mínimo de duas legislaturas em que possam ser cumpridos determinados objectivos nas referidas áreas.

"As pessoas depois que votem em quem acham que cumprirá melhor [o acordo]", disse o militante número um do PSD à Lusa à margem de um debate sobre o estado actual de Portugal, realizado em Lisboa a propósito das comemorações do 75.º aniversário da Rádio Renascença.