Dos onze vereadores eleitos, apenas o seu proponente, eleito pela CDU, e o vereador independente Miguel Bandeira, eleito na lista vencedora Juntos por Braga (PSD/CDS-PP/PPM), votaram favoravelmente à moção que visava a remoção da estátua do cónego Melo, acusado de participar na organização do fascista autodenominado Exército de Libertação Nacional (ELP), promover a destruição de sedes de organizações de esquerda e apoiar atentados bombistas, designadamente o que vitimou o padre Max.
Por outro lado, seis vereadores, quatro eleitos do Partido Socialista e os dois vereadores do CDS/PP, defenderam a manutenção da estátua, votando contra a proposta da CDU. A vereadora independente Luísa Cruz, eleita na lista do Partido Socialista, e que se previa pudesse votar a favor da retirada da estátua do Cónego Eduardo de Melo Peixoto, foi substituída por outro candidato a vereador do PS.
O novo presidente da Câmara de Braga, o social democrata Ricardo Rio, bem como o vice-presidente, Firmino Marques, e a vereadora da maioria Sameiro Araújo abstiveram-se.
A construção de uma estátua de homenagem ao cónego Melo foi aprovada pelo PS com a abstenção da direita durante o executivo camarário de Mesquita Machado. Ainda que o então autarca bracarense tenha assumido publicamente na Assembleia Municipal que, enquanto fosse presidente da Câmara, “não seria erigida no espaço público qualquer estátua ao cónego Melo”, o monumento acabou por ser instalado de surpresa, a 10 de agosto, sendo alvo de forte contestação social.
Segundo avançou, à época, a Coordenadora Concelhia de Braga do Bloco de Esquerda, foi, dessa forma, consumada a “ofensa ao sentido democrático dos bracarenses que, desde o primeiro momento, se opuseram à glorificação de quem tem no seu currículo a participação ativa na violência contra a democracia e o envolvimento na especulação imobiliária”.