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Protesto contra aterro juntou mais de mil pessoas em Valongo

Uma marcha de nove quilómetros protestou contra um aterro que autarquia e ambientalistas consideram “um problema de saúde pública”.
Protesto contra o aterro em Sobrado, concelho de Valongo
Protesto contra o aterro em Sobrado, concelho de Valongo. Foto do Jornal Novo Regional.

Cerca de 1.200 pessoas, incluindo representantes dos vários partidos, como o deputado bloquista Fernando Barbosa, vestiram esta segunda-feira t-shirts negras para se manifestarem contra o aterro que consideram ser um atentado à saúde pública da freguesia de Sobrado, em Valongo.

“Estiveram presentes nesta mobilização representantes de todas as forças políticas, num movimento apartidário e cívico contra um problema grave de contaminação do ar e de lençóis freáticos. Podem ser aqui depositados 400 tipos de resíduos diferentes e, para além de lamas e amianto, nem sabemos o que é aqui colocado. Não podemos aceitar”, afirmou José Manuel Ribeiro, presidente da Câmara de Valongo, no distrito do Porto, em declarações à Lusa.

O aterro da Recivalongo no Vale da Cobra, na freguesia de Sobrado, foi licenciado em 2012 para receber “resíduos industriais não perigosos”, mas recebe atualmente todos os tipos de resíduos, incluindo amianto, afirmou à Lusa um dos organizadores da manifestação. Diogo Pastor, do secretariado da associação ambiental Jornada Principal, acrescentou que “a população sente-se enganada e está em causa um problema de saúde pública”.

No ano passado houve consulta pública para a renovação de licenças e a autarquia contestou o licenciamento, mas este acabou por ter luz verde. “Já enviamos cartas e cartas a diversas entidades, desde a CCDR-N [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte] ao ministério do Ambiente, mas nada resulta”, lamentou o presidente da Câmara de Valongo.

A população queixa-se dos maus cheiros e dos mosquitos que invadem a freguesia e obrigam quem ali vive a ter portas e janelas sempre fechadas. E tem vindo a crescer a preocupação com a eventual contaminação dos poços de água.

A empresa já foi condenada a uma multa de cinco mil euros por descarga poluente e as análises a escorrências saídas da da Estação de Tratamento de Águas Lixiviadas confirmaram que confirmam que “há infracção dos valores limite estabelecidos”, noticiou o “Verdadeiro Olhar”. Por seu lado, a CCDR-N afirmou a este portal de notícias da região que das cinco deslocações ao aterro da Recivalongo em 2019 não resultou nenhum registo de qualquer infração ambiental. Nos dias das inspeções também não foram detetados odores significativos e a CCDR-N lembra que “ainda não existe legislação nacional em matéria de odores”.

 

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