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ProTejo rejeita construção de mais açudes e barragens no rio Tejo

Em causa está o "Projeto Tejo", um investimento de 4.500 milhões de euros que o movimento ambientalista considera uma "irracionalidade económica e social", alertando para o impacto ambiental negativo de fragmentar "os únicos 120 quilómetros de rio Tejo livre”,
Barragem do Fratel – Foto de JLRSousa/wikipedia
Barragem do Fratel – Foto de JLRSousa/wikipedia

"O proTEJO defende o rio Tejo livre dos açudes e das barragens do Projeto Tejo [projeto de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Tejo e Oeste] e através deste memorando pretende fazer uma reflexão sobre aquilo que é apresentado, indicando aquilo que não é dito (…) e algumas das falácias apresentadas", declarou Paulo Constantino, do Movimento pelo Tejo (movimentoprotejo.blogspot.com), à agência Lusa.

O Projeto Tejo pretende um investimento de 4.500 milhões de euros. Segundo Jorge Froes, um dos seus mentores, o objetivo é fornecer água a 300 mil hectares das regiões do Ribatejo, Oeste e Setúbal nos próximos 30 anos. Froes quer criar um "espelho de água contínuo através da construção de seis açudes até quatro metros de altura entre Abrantes e Lisboa, com escada passa-peixes, que vão tornar o Tejo navegável, e com estações elevatórias que vão permitir bombar a água para as encostas da Lezíria e também da zona Oeste".

O proTejo opõe-se a este Projeto Tejo, pelos seus "impactos negativos em termos ambientais por interromper ciclos ecológicos para a sustentabilidade da vida e da biodiversidade" e até "em muita da atividade económica, especialmente na localizada no Alto Tejo e Médio Tejo".

O movimento ambientalista destaca que um investimento de 4.500 milhões de euros, significaria um montante “oito vezes superior ao valor acrescentado bruto anual da agricultura com rega intensiva na região hidrográfica do Tejo e Oeste". Seria "um gasto desproporcionado de dinheiros públicos" e uma "irracionalidade económica e social".

O proTejo defende que "não existem previsões de maiores pressões de necessidade de água na agricultura que justifiquem a construção de novos açudes e barragens, uma vez que as superfícies irrigáveis e regadas se têm vindo a reduzir no Ribatejo e Oeste, apesar de existirem disponibilidades hídricas superficiais e subterrâneas para a sua expansão".

No ‘Memorando Por um Tejo Livre', o movimento ambientalista "sugere um conjunto de alternativas quer sobre a oferta da água quer sobre a procura, no sentido de haver outras alternativas que não a construção de barragens". Essas alternativas passam por fatores como a "captação de mais e melhor investimento produtivo" e pela "formação e incentivos à utilização das melhores práticas e tecnologias disponíveis para garantir a competitividade económica das explorações agrícolas, nomeadamente, a eficiência hídrica e as práticas agroecológicas".

Estas medidas "terão um custo muito inferior ao do Projeto Tejo e beneficiarão um número mais alargado de agricultores" e "além de reduzirem as necessidades hídricas, aumentam a fertilidade do solo, favorecem a biodiversidade e reduzem o recurso a químicos de síntese e combustíveis fósseis, contribuindo no seu conjunto para a redução da poluição e das emissões de gases com efeito de estufa", refere o proTejo.

O proTejo quer ainda "alertar para os impactes ecológicos negativos provocados pelos novos açudes e barragens ao fragmentarem os únicos 120 quilómetros de rio Tejo livre”, tendo reiterado que "todos os objetivos traçados para o Projeto Tejo podem ser atingidos com investimentos em projetos alternativos que devem ser estudados e avaliados de modo a minorar os impactos negativos sobre o funcionamento dos ciclos ecológicos".

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