Brasil

Proposta para criminalizar totalmente aborto avança na Câmara dos Deputados

29 de novembro 2024 - 14:01

Ainda não foi a aprovação final. Mas a Comissão de Constituição e Justiça deu luz verde a uma proposta de emenda constitucional que acabaria com as exceções prevista na lei do aborto no Brasil: risco de morte da mulher, gravidez por violação ou anencefalia fetal.

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Protestos na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania contra a aprovação da PEC que criminaliza o aborto em todos os casos.
Protestos na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania contra a aprovação da PEC que criminaliza o aborto em todos os casos. Foto de Lula Marques/Agência Brasil.

Uma Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a possibilidade de existirem abortos legais no Brasil foi aprovada esta quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados por 35 votos contra 15.

A iniciativa legislativa pretende inscrever na Constituição Federal a proibição do aborto em todos os casos em que ainda era permitido, como de risco de morte da mulher, gravidez por violação ou anencefalia fetal, isto é, má-formação do cérebro do feto.

O texto, avançado pelos antigos deputados Eduardo Cunha e João Campos alteraria o artigo 5º da lei máxima do país, inscrevendo na Constituição o princípio de que a vida é inviolável “desde a conceção”.

De acordo com a Agência Brasil, coube a Dani Cunha, filha de Eduardo que teve o mandato cassado, defender a PEC e fê-lo declarando que “o aborto é nada mais, nada menos, que o assassinato de bebé indefeso. Não se trata de religião. Aqueles que, como eu, são radicalmente contra o aborto devem, em respeito à vida e à Convenção Interamericana de Direitos Humanos, votar sim nessa PEC. Peço o voto de todos que respeitam a vida”.

Do lado contrário, deputada Sâmia Bonfim, do PSOL, contrapôs que o que está em causa é obrigar mulheres e crianças a manterem gestações que implicam risco de perda da vida: “vocês não estão defendendo a vida de absolutamente ninguém. Querem condenar essas mulheres caso elas optem pela interrupção da gestação que representem risco de vida à gestante. Elas podem ser condenadas, criminalmente inclusive, porque é isso que vai dizer a Constituição Federal. Além disso, obriga crianças e mulheres vítimas de violência sexual a serem mães”, sublinhou.

Esta aprovação não é o passo legislativo final mas é um avanço importante. A seguir será ainda criada uma comissão especial para analisar o tema e emitir um parecer. Depois a proposta voltará ao plenário da Câmara.

A sessão em que a aprovação foi decidida chegou a estar suspensa na sequência de protestos. Vários manifestantes entraram no plenário da CCJ e lançaram palavras de ordem como “criança não é mãe e estuprador não é pai” e “retira a PEC”.

A presidente do órgão, Caroline de Toni, do partido de Bolsonaro, pediu à polícia para retirar os manifestantes. Estes resistiram e os deputados trocaram de sala até a polícia completar a expulsão.