Agricultura

Projeto de 658 hectares de abacate volta a receber parecer ambiental negativo

21 de agosto 2024 - 11:41

Decisão final sobre o projeto de exploração intensiva de abacate em Alcácer do Sal será tomada até ao final do mês. Agricultores vizinhos queixam-se de que projeto seria sorvedouro de recursos hídricos.

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Armazenamento de abacate
Fotografia de Usaid/Pixnio

O projeto do grupo Aquaterra, que prevê a plantação de 658 hectares de abacate e 32 furos de água nas Herdades da Murta e Monte Novo, em Alcácer do Sal, voltou a receber parecer negativo. Desta vez foi a Comissão de Avaliação de Impacte Ambiental dirigida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo que deu um parecer desfavorável ao avanço do projeto.

A decisão de instalar uma plantação de abacateiro intensivo numa zona afetada pela seca foi polémica à partida, e a primeira versão do projeto, que previa 722 hectares de cultivo e 34 furos recebeu também parecer negativo do Instituto de Conservação da Natureza (ICNF) em 2023 e subsequentemente uma Declaração de Impacte Ambiental também negativa. O promotor, a Expoente Frugal, do grupo Aquaterra, teve mais seis meses para avançar com uma reformulação do projeto.

Mas mesmo assim o processo continua a não cumprir os requisitos ambientais, e voltou a obter um parecer desfavorável na proposta de Declaração de Impacte Ambiental. O grupo Aquaterra ainda terá oportunidade de se pronunciar sobre o projeto antes de a decisão final ser tomada e de ser emitida a Declaração de Impacte Ambiental final.

O semanário Expresso avança que há pareceres técnicos sólidos que defendem que a reformulação de projeto do grupo Aquaterra não é viável, uma vez que não altera significativamente os impactes negativos tanto a nível de água como de habitats.

Os agricultores vizinhos à área do projeto pronunciaram-se em consulta pública contra a plantação de abacate de forma tão intensiva, pois têm receio que esta cultura esgote os recursos hídricos da área.

O grupo Aquaterra também é responsável por um projeto de mais de 500 hectares de plantação de tangerina na vizinhança, e foi já alvo de um auto de notícia por parte do ICNF em 2023. Em causa estão a “destruição de flora em áreas protegidas durante a realização de trabalhos de campo”.

Com o agravar da seca e a intensificação das alterações climáticas, as culturas de regadio intensivo prejudicam cada vez mais não só os recursos hídricos do sul do país, mas também os ecossistemas e habitats das regiões e os caudais dos rios.