Professores: em greve às horas extraordinárias de Março a Junho

22 de fevereiro 2011 - 13:20

Um grupo de sindicatos do sector da educação, encabeçados pela Federação Nacional dos Professores, convocou uma greve a todo o serviço extraordinário, com efeitos a partir de 1 de Março e até dia 30 de Junho.

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Para o dia 12 de Março está agendado um encontro nacional de professores no Campo Pequeno, em Lisboa, para protestar contra os cortes salariais e a reestruturação curricular que deixará milhares de professores no desemprego já no ano lectivo que vem. Foto Paulete Matos.

Em comunicado, um conjunto de sindicatos encabeçados pela Federação Nacional dos Professores (FENPROF) refere que foi, esta segunda-feira, entregue o pré-aviso de greve para o período entre as zero horas de 1 de Março e as 24 horas de 30 de Junho.

Os sindicatos referem que os docentes podem aderir à greve quando entenderam e que “a mesma será levantada apenas quando o Ministério da Educação respeitar o disposto na lei”, tendo o problema já sido levantado junto da ministra da Educação, Isabel Alçada, na Provedoria de Justiça e também na Assembleia da República.

Segundo o comunicado, o Ministério da Educação "veio impor que o valor da hora extraordinária de serviço docente passasse a ter por base as 35 horas, o que é manifestamente ilegal", já que - dizem os sindicatos - o estipulado é 22 ou 25 horas. Em causa está o artigo 83.º do Estatuto da Carreira Docente, mais concretamente o ponto seis, que diz que “o cálculo do valor da hora extraordinária tem por base a duração da componente lectiva do docente, nos termos do artigo 77.º do mesmo estatuto”. Ora, este artigo estabelece que a componente lectiva é de 22 ou 25 horas, de acordo com o sector de ensino ou educação a que o docente pertence.

"Acresce o facto de a remuneração devida pelo serviço extraordinário desenvolvido ser relevante para efeitos de acréscimo da designada taxa de redução remuneratória, reduzindo ainda mais o seu valor, bem como o valor líquido do próprio vencimento base", explica também o comunicado.