A pedido de Israel, a Austrália interveio contra o julgamento de crimes de guerra realizados por Israel na Palestina. Segundo a interposição entregue em Haia, “a posição da Austrália é clara: não reconhecemos o ‘Estado palestiniano’”, pode ler-se no Público. “Dessa forma, a Austrália não reconhece o direito dos palestinianos ao Estatuto de Roma [que reconhece o TPI] — para investigar crimes de genocídio, agressão e crimes de guerra”.
A questão da jurisdição ainda está em aberto. Em dezembro de 2019, quando o TPI decidiu investigar crimes cometidos na Cisjordânia e Faixa de Gaza, a procuradora Fatou Bensouda solicitou um parecer prévio sobre quais os limites territoriais na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza, face à ausência de fronteiras decididas por mútuo acordo. A intenção deste pedido foi evitar futuros problemas quanto à jurisdição e o parecer deverá ser conhecido nas próximas semanas, diz o Público.
A investigação demorou 5 anos e juntou informação que permitiu concluir que foram cometidos crimes de guerra nos territórios palestinianos por parte do Exército israelita, membros das autoridades israelitas, do Hamas e de outros grupos armados palestinianos. O período de investigação inclui a Guerra na Faixa de Gaza de 2014, quando o exército era liderado por Benny Gantz, entretanto seduzido pela política, primeiro como principal adversário e agora como parceiro de Benjamin Netanyahu à frente do próximo governo.
Os crimes investigados são vários: “ataques a civis, tortura, ataques a hospitais e o uso de escudos humanos”, notícia o Púbico. “Não há razões substanciais para acreditar que uma investigação não servirá o interesse da justiça”, diz a procuradora.
O governo isrealita desvalorizou estas acusações, com o ministro da Energia israelita Yuval Steinitz - a quem o governo entregou o ónus de seguir a investigação, desvalorizando a questão - a acusar Fatou Bendousa de ter uma "política claramente anti-Israel".