Privatizar o património é “matar a galinha dos ovos de ouro do turismo”

25 de julho 2017 - 21:40

Em visita ao Convento de Cristo, Catarina Martins considerou que "o desafio para o próximo orçamento de estado é reforçar o orçamento para a Cultura" e, simultaneamente, "dar aos monumentos a autonomia necessária para gerirem o seu orçamento e o seu quotidiano".

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Catarina Martins no Convento de Cristo. Foto de Luís Costa.
Catarina Martins no Convento de Cristo. Foto de Luís Costa.

Em visita ao Convento de Cristo, monumento nacional em Tomar que sofreu estragos no início de junho devido a uma produção cinematográfica no local, Catarina Martins abordou os desafios para o património cultural e os caminhos possíveis para os resolver. 

“Estamos a viver um período de crescimento grande do turismo, um crescimento que coloca naturalmente pressão sobre o património. Ainda bem que assim é, mas isso significa que também aumenta a responsabilidade pública sobre os monumentos”, alertou.  

Para a coordenadora do Bloco “há dois caminhos distintos que se podem tomar: ou fazemos de conta que está tudo na mesma apesar do crescimento do turismo” e, nesse caso, “os monumentos ficam reféns das lógicas privadas e sem grande capacidade de manutenção face à pressão da ocupação crescente que têm; ou temos uma outra opção, defendida pelo Bloco, que é aumentar os recursos para o património cultural com reforço orçamental da pasta da Cultura e, dando autonomia aos monumentos para poderem gerir esse orçamento e darem resposta às pressões quotidianas a que estão sujeitos”, explicou.

E o momento de fazer decisões “é agora. Porque há todas as pressões para se instalar a lógica de concessão a privados do património para a sua manutenção”. Mas se isso for feito, alerta, “o património acabará por servir para alguns e não servir para o país todo. Se nós cedermos a uma lógica de privatização do património cultural, estaremos a matar a galinha de ovos de ouro do turismo português”.

As pressões são de diferentes tipos, explicou: “por um lado temos o Programa Revive que, faz a concessão a privados de monumentos nacionais”, programa sobre o qual o Bloco de Esquerda apresentou um projeto de resolução a obrigar que os programas de uso sejam debatidos publicamente. 

“Por outro lado”, continuou, “o estrangulamento orçamental na Cultura é de tal ordem que a própria Direção Geral do Património Cultural autoriza uma série de atividades privadas nos monumentos que nada têm a ver com a natureza dos monumentos”, atividades que “não são devidamente acompanhadas e que depois causam estragos a esse património que é de todos”. 

Por isso, “o desafio para o próximo orçamento de estado é reforçar o orçamento para a Cultura” e, simultaneamente, “dar aos monumentos a autonomia necessária para gerirem o seu orçamento e o seu quotidiano. Direções Gerais gigantescas e com poucos meios não é seguramente a solução para o património cultural, tal como não é a sua concessão a privados”, concluiu.