Presidente da Cáritas acusa governo de nada fazer para apoiar situações de emergência

19 de setembro 2011 - 14:36

Atendimentos da Cáritas em Portugal aumentaram mais de 40% no espaço de um ano. Números referem-se apenas a oito das vinte dioceses existentes. “Até agora tem sido a sociedade civil a suportar o apoio às situações de emergência”, sublinha Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa.

PARTILHAR
Foto de Paulete Matos.

Os números relativos ao aumento do pedido de ajudas à Cáritas Portuguesa, apresentados por Eugénio Fonseca, presidente desta instituição, não se referem à totalidade das dioceses existentes, sendo que Porto e Braga, por exemplo, não estão a ser contabilizadas, ainda que, nestas regiões, o impacto da crise e do desemprego se faça sentir de forma acentuada.

 Na diocese de Lisboa, entre 31 de Agosto de 2010 e 31 de Agosto de 2011, o aumento de pedidos de apoio foi de 60%.

 Eugénio Fonseca alerta: “a maioria hesita muito em pedir ajuda, só o fazendo quando começa a ter dívidas incomportáveis”.

 Perante o agudizar da crise económica e social, o governo português não tem feito nada para colmatar as medidas de austeridade, sendo que “até agora tem sido a sociedade civil a suportar o apoio às situações de emergência”, realça o presidente da Cáritas Portuguesa.  

 Algumas medidas introduzidas merecem a crítica de Eugénio Fonseca. Segundo este, as alterações ao Rendimento Social de Inserção implicaram a perda da prestação para muitas “pessoas que não eram fraudulentas”.

 A não comparticipação das despesas com as crianças enquadradas nas creches também merece um reparo do presidente da Cáritas. “O risco é as instituições optarem só por aqueles que podem pagar, pervertendo a identidade” das instituições de solidariedade social, alerta.

Termos relacionados: Sociedade