No último trimestre de 2024, os preços das casas em Portugal aumentaram 11,6% face ao período homólogo (o último trimestre de 2023). É a terceira maior subida entre os países da Zona Euro e mais do dobro da subida média na União Europeia, que está situada nos 4,9%.
Os dados do Eurostat apresentados esta terça-feira confirmam também que Portugal teve uma das maiores subidas na comparação com o trimestre anterior de 2024. Foi uma subida de 3% entre os últimos dois trimestres do ano, enquanto a média da União Europeia para esse aumento é de 0,8%.
O aumento dos preços da habitação está a afetar alguns países da União Europeia, enquanto outros registam quebras. Portugal em particular apresenta uma subida aguda, devido a um problema estrutural do mercado de habitação, com uma falta de habitações que foram desviadas para o setor do turismo e da especulação imobiliária.
Os maiores aumentos homólogos foram observados na Bulgária (18,3%), na Hungria (13%) e em Portugal (11,6%). Só dois países registaram uma quebra nos preços da habitação, a França e a Finlândia.
A crise de habitação de Portugal continua a aumentar a sua amplitude. No último estudo da OCDE, Portugal foi destacado como o país onde é mais difícil comprar casa. Ao mesmo tempo, aumenta a profundidade do problema, que arrasta cada vez mais pessoas para a exclusão social e para soluções de autoconstrução, com o aumento das barracas, e de ocupações ilegais.
No passado domingo, Mariana Mortágua apresentou as principais medidas do Bloco de Esquerda para resolver a crise de habitação. As propostas passam pelos tetos às rendas, mecanismos para fiscalizar e regularizar os contratos de arrendamento, uma moratória à construção de novos hotéis onde há pressão urbanística e 25% de cada nova construção para habitação acessível.