Habitação

Preços das casas subiram mais do dobro da média da UE

08 de abril 2025 - 13:11

Dados do Eurostat confirmam que Portugal continua a ser dos países na União Europeia e na Zona Euro onde os preços da habitação mais sobem. Bloco de Esquerda propõe tetos às rendas, mais fiscalização, proteção a inquilinos, e direcionamento de uma parte da construção para habitação acessível.

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Fotografia de Paulete Matos.

No último trimestre de 2024, os preços das casas em Portugal aumentaram 11,6% face ao período homólogo (o último trimestre de 2023). É a terceira maior subida entre os países da Zona Euro e mais do dobro da subida média na União Europeia, que está situada nos 4,9%.

Os dados do Eurostat apresentados esta terça-feira confirmam também que Portugal teve uma das maiores subidas na comparação com o trimestre anterior de 2024. Foi uma subida de 3% entre os últimos dois trimestres do ano, enquanto a média da União Europeia para esse aumento é de 0,8%.

O aumento dos preços da habitação está a afetar alguns países da União Europeia, enquanto outros registam quebras. Portugal em particular apresenta uma subida aguda, devido a um problema estrutural do mercado de habitação, com uma falta de habitações que foram desviadas para o setor do turismo e da especulação imobiliária.

Os maiores aumentos homólogos foram observados na Bulgária (18,3%), na Hungria (13%) e em Portugal (11,6%). Só dois países registaram uma quebra nos preços da habitação, a França e a Finlândia.

A crise de habitação de Portugal continua a aumentar a sua amplitude. No último estudo da OCDE, Portugal foi destacado como o país onde é mais difícil comprar casa. Ao mesmo tempo, aumenta a profundidade do problema, que arrasta cada vez mais pessoas para a exclusão social e para soluções de autoconstrução, com o aumento das barracas, e de ocupações ilegais.

No passado domingo, Mariana Mortágua apresentou as principais medidas do Bloco de Esquerda para resolver a crise de habitação. As propostas passam pelos tetos às rendas, mecanismos para fiscalizar e regularizar os contratos de arrendamento, uma moratória à construção de novos hotéis onde há pressão urbanística e 25% de cada nova construção para habitação acessível.