Se o choque da crise pandémica congelou momentaneamente a subida imparável dos últimos dez anos no preço por metro quadrado de imóveis um pouco por todo o país, esse efeito parece já ter sido totalmente ultrapassado apesar do agravamento da crise social.
No primeiro semestre de 2021, o preço médio de uma casa superou, pela primeira vez desde que há registos, os 160 mil euros. Em Lisboa, já se ultrapassam os 220 mil euros, noticia o Jornal de Negócios através do mais recente índice de preços da habitação do Instituto Nacional de Estatística (INE).
De janeiro a junho deste ano venderam-se 96.612 alojamentos familiares em Portugal por um montante total de 15.494 milhões de euros, uma subida de 30% face a 2020 e de 26% face a 2019.
Considerando o número de vendas e o volume total transacionado, cada casa foi vendida por um valor médio de 160,38 mil euros, representando uma subida de 3,8% face ao que se registava no final do primeiro semestre do ano passado e é, também, o mais elevado desde que foi iniciada esta série estatística do INE, que remonta a 2009.
Preço médio em Lisboa dispara para 220 mil euros
A Área Metropolitana de Lisboa não só mantém como reforça a posição de região mais cara do país. Em 2020, ultrapassou pela primeira vez a fasquia de um preço médio de 200 mil euros, valor novamente ultrapassado este ano para os 220 mil euros.
No primeiro semestre deste ano, venderam-se 32.167 casas em Lisboa por um valor total de 7.096 milhões de euros, levando a que o preço médio por venda tenha aumentado em mais de 6% face ao ano passado, para 221 mil euros. É um valor quase 40% superior à média nacional.
É no Alentejo e no Algarve que se observa o crescimento mais acelerado dos preços. No Alentejo, o preço médio das casas aumentou mais de 9% no primeiro semestre, chegando aos 100 mil euros, enquanto no Algarve o preço médio subiu acima de 10% e fixou-se em 214 mil euros.
A única exceção à subida generalizada dos preços está na Região Autónoma dos Açores, onde o preço médio das casas caiu de 110 mil euros no ano passado para 108 mil euros no final do primeiro semestre deste ano.