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Precários querem mais Estado Social

Estudo revela unanimidade entre trabalhadores precários e estáveis no apoio e melhoria do Estado social, das pensões e dos apoios ao desemprego. Todos rejeitam políticas assistencialistas, preferindo políticas universalistas, baseadas nos descontos dos trabalhadores.
Manifestação "Que se lixe a troika!" a 15 de setembro de 2013, foto do facebook dos Precários Inflexíveis.

O jornal Público divulga esta terça feira um estudo do sociólogo Filipe Carreira da Silva, da cientista política Mónica Vieira e do psicólogo social Cícero Pereira, do Instituto de Ciências Sociais, que foi publicado na revista "Political Studies" em que são analisadas as atitudes das pessoas perante o Estado Social antes e depois da crise.

O resultado, que surpreendeu os investigadores, revelou que depois da crise económica, os trabalhadores precários defendem e querem mais Estado Social. A atitude quase altruista dos precários, que sabem que não têm acesso à maioria da proteção ofereciada pelo Estado Social, e, apesar disso, pretendem um reforço do mesmo, espantou os investigadores.

“No caso português, ao contrário do que seria de esperar, a crise levou a que os outsiders [trabalhadores precários] desejassem mais políticas sociais dependentes de contribuições e de descontos. Isto é, políticas sociais de que não beneficiam nem podem vir a beneficiar, a não ser que arranjem um emprego estável”, afirmou Filipe Carreira da Silva ao jornal Público.

Além disso, o estudo provou que os precários esperam ter acesso a uma pensão tal como ela está hoje desenhada, ou seja, não só defendem um reforço do Estado Social, como querem ter acesso a ele. Os trabalhadores não precários também defendem o Estado Social e ambos os grupos são contra as políticas assistencialistas de apoio preferencial aos mais pobres. Preferem políticas universalistas, baseadas nos descontos dos trabalhadores.

Em reação ao artigo do jornal Público, a Associação de Combate à Precariedade - Precários Inflexíveis destaca que "este estudo denuncia que o país não aceita a precariedade como regra e quer a manutenção e o incremento do Estado social, nomeadamente das pensões e dos apoios ao desemprego".

O estudo baseou-se em dois inquéritos. No primeiro, em 2008, foram feitas 2367 entrevistas, no segundo, da primavera de 2013, foram entrevistadas 1258 pessoas. A primeira parte do estudo foi uma investigação à escala europeia, a segunda foi feita apenas em Portugal. As pessoas foram divididas em dois grupos conforme a sua situação de emprego: os "insiders" são trabalhadores com um contrato de trabalho estável e acesso à proteção social; os "outsiders" são trabalhadores precários com acesso a uma proteção social muitíssimo limitada.

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